quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Dilma e o presente - Entrevista à revista Carta Capital

Os gravadores ainda estavam desligados, a conversa versava sobre artes plásticas, quando Dilma Rousseff por um instante, pensou em outra vida: "Vocês sabem que eu gostaria de ter sido pintora, não?" Quase no fim da entrevista, ela voltaria ao tema, um de seus preferidos, ao mostrar um livro sobre um grupo de sete pintores canadenses do começo do século passado, sua distração do momento. 

Dilma e o presente - Entrevista à revista Carta Capital
Presidente Dilma durante visita à estação de teleférico do Morro do Alemão (RJ).

No mais, a presidenta aparentava bom humor. E não havia um motivo específico para tanto. Ao contrário. A terça-feira 9 seria mais um daqueles dias em que o Palácio do Planalto se veria obrigado a reagir à contingência. Logo no raiar do dia, a Polícia Federal havia prendido 36 suspeitos de participar de um esquema de corrupção no Ministério do Turismo, entre eles o secretário-executivo da pasta. 

A operação soma-se a uma profusão de denúncias que culminaram na queda de António Palocci, na faxina nos Transportes e nas demissões na Agricultura. Com resultados agora medidos sobre a aprovação da presidenta e de seu governo. Segundo pesquisa Ibope divulgada no dia seguinte, a popularidade de Dilma recuou 6 pontos percentuais em relação à última medição. O mesmo se deu com o apoio à administração.

No flanco econômico, as bolsas de valores davam uma pequena trégua, mas prenunciavam os próximos dias de terror com o aprofundamento da crise econômica na Europa e o rebaixamento dos títulos da dívida dos Estados Unidos. 

"A situação mudou e o Brasil será obrigado a reagir de forma diferente à nova realidade", afirmou Dilma, sem informar se a mudança em curso significa interromper a alta dos juros para conter uma inflação que já não mostra mais o ímpeto do primeiro semestre. "Pode ser exigido de nós um grande esforço."

A entrevista, em uma antessala do gabinete presidencial, precedeu uma reunião sobre o modelo de concessão de aeroportos a ser adotado pelo governo. Durante a conversa, que durou um pouco mais de uma hora, a presidenta negou que a nomeação de Celso Amorim para a Defesa tenha causado desconforto nas casernas ("Não estamos mais na época das vivandeiras"), afirmou que estádios e aeroportos estarão prontos a tempo para a Copa 2014, expressou-se de forma distante sobre Ricardo Teixeira e garantiu que a Comissão da Verdade será instalada. 

E revelou seu novo projeto na área de saúde, definido por ela como sua mais nova "obsessão": a adoção do home care, atendimento de saúde em casa nos moldes existentes no Reino Unido e nos EUA. "É mais barato, é melhor para as pessoas e pode ser feito em escala maior com um custo fixo muito pequeno e com um custo variável interessante."

A entrevista será publicada em duas partes. A próxima sairá na edição especial 660, que chega às bancas em São Paulo na sexta-feira 19.

CartaCapital: Aquela simpatia inicial da mídia em relação à senhora parece ter passado. Há as denúncias de corrupção, que precisam ser investigadas, mas há também essa tentativa de criar uma tensão do nada, como no caso da nomeação de Celso Amorim para a Defesa. 
Dilma Rousseff: O que acho complicado no Brasil é que os problemas reais perdem espaço para os acessórios, ou para os que não são reais. Isso é muito ruim, porque há uma tendência de as pessoas se importarem mais com o espetáculo do que com a realidade cotidiana das coisas. É normal, talvez por isso, inclusive, que todos gostemos de folhetins. Não posso ficar reclamando. Agora, essa relação com a mídia, não sei se ela não é assim em todos os governos, desconfio que...

CartaCapital: Em todos os governos do Brasil ou do mundo? 
DR: Do mundo. Você tem uma relação contraditória com a mídia. Veja o que ocorre, por exemplo, nos Estados Unidos, entre a Fox e o Obama. E há essa coisa horrorosa que é o News of the World na Inglaterra. Não acho que eu seja tratada da mesma forma por todos os jornais. Têm grupos de mídia mais suscetíveis a encarar as transformações pelas quais o Brasil passa e têm outros menos suscetíveis. Não acho que o governo deva se pautar por isso, pela mídia. Isso não significa não dar importância. Dou importância e tenho obrigação de responder e levar em consideração as demandas. Agora, não vou gastar nisso todo o meu tempo, que é político. Tenho de gastar meu tempo tratando dos assuntos que resolvem problemas do País.

CartaCapital: Mas nas últimas semanas, a começar pela crise nos Transportes até a mais recente, na Agricultura, o seu governo parece apenas reagir a uma série de denúncias de corrupção publicada pela mídia. 
DR: Afastamos as pessoas quando achamos que o caso era grave. Não acho que somos pautados pela mídia em nenhum desses casos. Nem na história dos Transportes, nem da Agricultura ou de qualquer outro caso que por ventura ocorra, não temos o princípio de ficar julgando as pessoas, fazendo com que elas provem que não são culpadas. Somos a favor daquele princípio da Revolução Francesa, muito civilizado, que cabe a quem acusa provar a culpa de quem é acusado. Mas não acho que o governo deva abraçar processos de corrupção. Por razões éticas, mas também por conta de outro fator: um governo que se deixa capturar pela corrupção é altamente ineficiente. É inadmissível diante de tão pouco dinheiro que temos para fazer as coisas. Então, por uma questão não só ética e moral, mas de eficiência, você é obrigado a tomar providência.

CartaCapital: Falemos da nomeação de Celso Amorim. Essa história de que as casernas estão irritadas com a nomeação dele... 
DR: É relevante?

CartaCapital: É relevante? 
DR: Não acho. Primeiro, porque não estamos mais na época das vivandeiras. As Forças Armadas são disciplinadas, hierarquizadas e cumprem seus preceitos constitucionais. Estão subordinadas ao Poder Civil e é assim pelo fato de a sociedade brasileira ter evoluído nessa direção. Não é uma conquista do governo ou da mídia, é da sociedade brasileira. Agora, se há setores, absolutamente minoritários, entre os militares ou na mídia que assim pensam, é irrelevante, faz parte do passado, de uma visão atrasada da História. Outra coisa muito grave, aquém da realidade, é achar alguém insubstituível. As pessoas têm de ter a humildade de perceber que não são insubstituíveis, a gente descobre isso quando criança, principalmente se você perde algum parente importante, como o pai ou a mãe, cedo. 

Além disso, nem na época da monarquia o rei era insubstituível, havia aquela história dos dois corpos do rei, o divino e o humano. O rei morreu, viva o novo rei. O tempo é o senhor desse processo e tenho certeza de que o Celso Amorim vai demonstrar uma grande capacidade de gestão, vai levar à frente a nossa Política Nacional de Defesa e vai fortalecer e modernizar as Forças Armadas. Vamos discutir daqui a um ano. Tem gente que olha para o passado. Eu olho para o futuro. 

CartaCapital: A senhora já refletiu, fez alguma interpretação, sobre o comportamento do ex-ministro Nelson Jobim? 
DR: Ah, não faço nenhuma interpretação. É uma página virada, não temos de ficar discutindo. Isso pode até ser interessante para a mídia, mas para o governo não é.

CartaCapital: Acompanhei as suas declarações recentes sobre a crise. A senhora disse que o Brasil está mais preparado do que em 2008. É isso? 
DR: Você me ouve e eu te leio, viu Belluzzo (risos). Vivemos um momento que ninguém da nossa geração imaginou viver. Jamais pensei na minha vida que eu veria uma agência de classificação de risco rebaixar a nota dos títulos dos Estados Unidos. Fiquei perplexa. De uma certa forma, tirando um aspecto um tanto irônico da situação, não acho que essa agência (Standard à Poor's) seja muito responsável ou tenha tomado uma decisão fundamentada. Não houve nenhuma grande alteração, a não ser política, que justificasse. De qualquer forma, isso indica muito o momento que o mundo vive, no qual há duas coisas incontestáveis.

CartaCapital: Quais? 
DR: Temos uma crise profunda, que, como todos sabem, não foi produzida pelos governos. Deve-se a uma crise do mercado financeiro, da sua desregulamentação, com aquiescência, aí sim, do poder público. Ontem, por acaso, estava com dificuldade de dormir e voltei a assistir ao documentário Inside Job, um filme que todo mundo deveria assistir. É impressionante como, por meio dos depoimentos, o absoluto descontrole fica patente. 

E em vez de tomarem medidas cabíveis para retomar as condições de crescimento, encheram os bancos de dinheiro outra vez, mantiveram a desregulamentação, continuaram com o processo de descontrole e agora a crise se exprime de forma muito forte na Europa. Há duas utopias apresentadas como possíveis. Há aquela americana, a solução dos republicanos, que acham ser possível sair de uma das maiores crises, gerada não pelo descontrole dos gastos públicos, diminuindo o papel do Estado. Nesse debate há a tentativa dos republicanos de reduzir a nada o Estado. Não se recupera uma economia desse jeito.

CartaCapital: E a outra? 
DR: Tem uma segunda utopia vendida lá na Europa. É a seguinte: é possível a gente ter uma união monetária em que a economia central, ou as economias centrais, se beneficiam de uma única moeda, estruturam um mercado, vendem os seus produtos para esse mercado e não têm a menor responsabilidade fiscal, punindo seus integrantes quando eles entram em crise, também provocada pelo nível de empréstimo dos bancos privados. Há um sujeito oculto engraçado, um Estado supranacional com uma política fiscal comum para socorrer os integrantes e não deixar, por exemplo, que a Grécia não tenha outra saída a não ser matar seus velhinhos, atirá-los do penhasco, que era o que acontecia antes, ou acabar em uma redução brutal dos salários e das pensões. Agora, com a Itália e a Espanha, o problema ficou mais complexo, entra em questão a União Europeia. Parece, lendo os jornais europeus, que as ofertas de socorro são poucas e chegaram tarde. São duas utopias muito graves, porque, como disse o Belluzzo, é mais do mesmo e uma tentativa de responder à crise com aquilo que a causou. Em vez de mudar o roteiro da pauta, responde-se com o que a causou. Agora, o Brasil tem de reagir a essa situação.

CartaCapital: Como? 
DR: Todas as situações são inusitadas, não são aquilo que ocorreu no passado. O momento agora não é igual ao de 2008 e 2009. Temos um problema sério, porque os EUA podem ir para o quantitative easingS (emissão de dólares) e aí eles vão inundar este nosso País. Não tem para onde ir e então eles virão para os mercados existentes, ou seja, nós. 

Como disse a ministra da Indústria da Argentina, virão para um mercado apetecible. Somos apetecibles, acho que o espanhol tem essa capacidade sonora de às vezes mostrar quão apetecibles somos. Começamos a tentar uma política bastante clara no sentido de conter esses avanços quando o governo colocou aquela tributação sobre os derivativos, porque sabemos que o efeito disso é a entrada aqui, ela se dá por essa arbitragem dos juros.

CartaCapital: Mas o que se pode fazer? Começar a baixar os juros? 
DR: Não vou te dizer qual é a nossa receita, porque, se fizer essa antecipação, cometerei um equívoco político e econômico. Vamos, o governo, olhar a partir de agora de uma forma diferente essa situação que vem pela frente, porque é algo distinto. Não estamos mais na mesma situação de antes, nem sabemos direito o que vem, mas estamos com abertura suficiente para perceber que pode ser exigido de nós um grande esforço para conter isso. De outro lado, percebemos que, além de tudo, há o fato de que a indústria manufatureira no mundo está com uma grande capacidade ociosa, procurando de forma urgente mercados, e que somos esse mercado. Não vamos deixar inundar o Brasil com produtos importados por meio de uma concorrência desleal e muitas vezes perversa. Vamos fazer uma política de conteúdo nacional com inovação, a mesma que aplicamos em relação à Petrobras e que deu origem à encomenda de estaleiros novos produzidos no País. Também vamos olhar o efeito da crise por setor, porque ele é assimétrico. Alguns são mais prejudicados que outros. Os mais afetados receberão estímulos e proteção específicos. Haverá uma política de defesa comercial, além da continuidade de nossas políticas sociais e de estímulo ao investimento e ao consumo. Hoje (terça-feira 9), por exemplo, ampliamos o Supersimples. Fizemos uma grande isenção tributária que beneficiará um universo muito grande de empresas. Teremos ainda uma política de incentivo à exportação por meio do Reintegra, uma novidade. Nunca tínhamos feito nessa escala. Sabemos que isso é só um início e estamos abertos a todas as outras hipóteses de trabalho, vamos acompanhar de forma pontual. É como se diz no futebol, marcação homem a homem. Aqui também será marcação mulher a mulher e de todos os jeitos possíveis (risos).

CartaCapital: Falemos um pouco da Copa de 2014. Por que as coisas não estão andando como deveriam?
DR: Gostaria de entender por que isso.

CartaCapital: Por que achamos isso? 
DR: Baseados em quê? 

CartaCapital: As obras estão lentas, outras foram paralisadas... 
DR: Quais?

CartaCapital: Estádios... 
DR: Vivemos em uma democracia. Temos o Judiciário, o Legislativo e o Executivo.

CartaCapital: Há outro motivo. 
DR: Qual?

CartaCapital: A Fifa é uma organização mafiosa e o nosso líder futebolístico fica muito bem dentro desse panorama. 
DR: Quem é o nosso chefe?

CartaCapital: O Ricardo Teixeira. 
DR: Do governo ele não é. 

CartaCapital: Do futebol. Há quem diga que a senhora não o recebe. 
DR: Recebo sim, são relações institucionais. Mas voltemos às obras. É preciso fazer uma diferença: as obras essenciais e aquelas que serão legado. No caso dos estádios, essenciais, tomamos uma providência muito clara. Eles disseram que os estádios serão privados. Dentro dessa visão, eles não estariam na matriz de responsabilidade do governo federal. Mas a União, sabendo do seu poder de financiamento, principalmente de longo prazo, escalou o BNDES para financiar dentro dos valores definidos internacionalmente pela Fifa. 
São até 400 milhões de reais. Na última avaliação, das obras de estádios em andamento, dez estavam com zero de problemas, fora as dificuldades normais inerentes a grandes projetos. Uma licença que atrasa aqui, algo que precisa arrumar ali. Dois não tinham iniciado obras ainda e eram problemáticos. Um por problema na licitação, que foi refeita. O outro, por conta de uma discussão entre o Ministério Público Federal, o TCU e a CGU. E havia o estádio em São Paulo, cuja situação é pública e notória, e por isso eu a cito aqui. Fizemos muita pressão para resolver o impasse de uma vez por todas. O governo estadual decidiu então entrar, assim como a prefeitura. Acreditamos que o estádio em São Paulo será o que vai ficar pronto mais em cima da hora, mas vai ficar pronto antes do começo da Copa. Vamos supor, porém, que haja algum que não fique pronto. Temos 12 sedes e, em qualquer hipótese, seria possível realizar a Copa com bem menos do que isso. Não vejo risco nenhum nesse sentido.

CartaCapital: E o resto da infraestrutura? Aeroportos, por exemplo. 
DR: No dia dos jogos vai ter feriado e não haverá concorrência com a estrutura logística. Os aeroportos são, ao contrário, essenciais, ainda mais em um país continental. Dos aeroportos com grandes problemas, temos São Paulo e Brasília, os demais têm muito menos problemas. Por isso decidimos fazer concessões privadas em ambos. Estamos perto de bater o martelo na formatação do leilão. O edital sai em dezembro, a contratação em fevereiro ou março. Concederemos 51%, os outros 49% ficam com a Infraero. Antes, explico o que não vamos conceder: o sistema de navegação e o de aproximação, portanto, nenhuma das torres. Nem o sistema público responsável pela gestão dos voos. Vai continuar a ser responsabilidade do Decea (Departamento de Controle do Espaço Aéreo), na sua grande maioria, e da Infraero, em menor proporção. Sobra para o setor privado a exploração comercial, a administração do aeroporto e a ampliação.

CartaCapital: Aumentar a capacidade. 
DR: Em São Paulo, vamos reforçar Guarulhos, mas o futuro está em Viracopos, pois Cumbica caminha a passos acelerados para o esgotamento de sua capacidade. Ele não tem retroárea suficiente para expandir, a cidade cresceu naquela direção e o custo para desapropriar é elevado, tanto no que se refere a pequenos imóveis unifamiliares quanto a empresas. 

Já estudamos várias alternativas, inclusive mudar a configuração da pista, mas é inviável. O que podemos expandir? Os terminais de passageiros. Há ainda o que fazer no pátio e na pista. Fizemos agora uma contratação por emergência de um módulo e de um terminal. Serão entregues até dezembro, pois nossa preocupação não é só a Copa. A taxa de uso de avião cresce 20% ao ano no Brasil, um escândalo.

CartaCapital: São os puxadinhos... 
DR: Puxadinhos, meu filho, foi o que segurou a Copa da África do Sul. Não faremos isso. Vamos segurar até a Copa, mas, quando ela chegar, teremos estrutura. Qual é o problema? Guarulhos sustenta o sistema. A licitação terá de levar em conta esse fato. Vamos ter de criar um fundo que pegue parte dessa renda e a distribua. Ela não pode ficar apenas para quem explora o aeroporto. Não é uma licitação trivial, portanto. Em um segundo momento, vamos nos concentrar no Galeão (Rio de Janeiro) e em Confins (Belo Horizonte). O problema dos aeroportos não é da Copa, é algo para depois de amanhã. Asseguro que em 2014 estará tudo prontinho.

CartaCapital: E os legados? 
DR: Há 50 obras de legado. A Copa não depende delas para funcionar, é algo a deixar para as cidades. Os prefeitos e governadores têm até dezembro deste ano para ao menos iniciar a fase de licitação. Caso contrário, a obra sai do PAC da Copa e vai para o PAC normal. Por quê? Porque, se não licitar até o fim do ano, elas não ficarão prontas em dezembro de 2013. O governo federal pode fazer várias coisas, mas não pode obrigar ninguém a manter um ritmo se não tiver essas condições prévias.

CartaCapital: Como a senhora imagina o Brasil em 2014? 
DR: Farei tudo que estiver ao meu alcance para que o Brasil, em 2014, tire 16 milhões de cidadãos da miséria. Que a nossa classe média tenha na educação um caminho para manter sua condição e que aqueles que estão um pouquinho acima na pirâmide social desses 16 milhões de miseráveis passem para a classe média. Quero consolidar um Brasil de classe média. Além disso, quero ter transformado, ao menos em parte, a área de saúde. Não podemos ter hospitais em quantidade absurda, mas podemos ter uma política de regionalização, como tivemos no caso das universidades. E aí tem outra solução. Não sei se vocês sabem, mas precisamos ter, no governo, obsessões. E a minha próxima obsessão é o tratamento em casa, o home care, levar o atendimento de um hospital às casas das famílias. Por quê? Por que queremos inventar uma coisa sofisticada? Não, porque é mais barato, é melhor para as pessoas e por poder ser feito em escala maior com um custo fixo muito pequeno e com um custo variável interessante. Isso vai descongestionar o tratamento final nos hospitais e diminuir a quantidade de tempo que as pessoas permanecem ocupando um leito.

CartaCapital: A senhora poderia dar mais detalhes? 
DR: Ainda não. Estamos fazendo as contas, na ponta do lápis, pois não faremos nada sem convicção. Hoje, a convicção sobre a viabilidade do projeto é de 90%. Vamos dimensionar o tamanho. Por isso falo: certas coisas só se fazem com obsessão. Começamos pelas UBS (Unidades Básicas de Saúde). Estamos reequipando, remodelando e modernizando cerca de 40 mil unidades. Temos o mapa da pobreza feito pelo Censo, por grupo e região, e as 3 mil UBS que temos para construir vão para esses locais. 

O mesmo acontece com a Rede Cegonha. Não vamos conseguir fazer em todos os municípios, mas estamos começando por aqueles com o mais baixo nível de tratamento, de acesso a equipamentos de saúde.

CartaCapital: Falemos de uma obra bastante criticada. Por que o seu governo insiste no trem-bala? 
DR: As mesmas pessoas que hoje criticam o trem-bala diziam nos anos 1980 que o Brasil não deveria fazer metros, era coisa de país rico. Deu no que deu. O trem-bala não se justifica naquelas extensões chinesas, de 1,5 mil quilômetros. Na extensão entre o Rio de Janeiro e São Paulo é absolutamente justificável. Não se trata apenas de oferecer mais uma alternativa de transporte, mas de produzir uma reconfiguração urbana. E um ponto que ninguém discute. No trajeto entre o Rio e São Paulo vai ocorrer uma desconcentração urbana. O cara entra no trem-bala, desce no centro da cidade e vai trabalhar. Se não encontrarmos uma solução para as duas metrópoles, teremos uma banana gigantesca nas mãos. Ficarão inviáveis. Uma vez em Tóquio percebi que as ruas eram estreitas, mas não havia congestionamentos. Quis saber o motivo e me explicaram que o sistema de trens criado depois da Segunda Guerra Mundial tinha mudado a direção urbana das cidades. Nas paradas entre Tóquio e Kyoto criaram-se bairros, áreas de moradia. Pense no percurso entre São Paulo e Rio, entre a serra e o mar. É um dos lugares mais bonitos do País. Não existirá motivo para que as pessoas não queiram morar nesse caminho. Com o trem-bala, alguém que viva a 60,70, até 100 quilômetros do Rio ou de São Paulo chegará rapidamente aos centros dessas cidades.

CartaCapital: A Comissão da Verdade vai sair do papel? 
DR: Vai sim, vamos criá-la. Queremos que seja unânime nas bancadas do Congresso. Não há motivo nenhum para o PSDB e o DEM não a aprovarem. Não é algo que pode serviste partidariamente, é uma dívida que temos. 

Por Luiz Gonzaga Beluzzo, Mino Carta e Sérgio Lírio
Em entrevista à revista Carta Capital

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Vai dar Certo!



A luta pela soberania nacional não é fácil. No curso da história do povo brasileiro, várias foram as investidas de setores que atuaram intensamente contra o desenvolvimento do povo brasileiro. Concentrando riquezas e subjugando o povo aos interesses dessas minorias.

O domínio desses setores sobre os destinos do Brasil deixam cada vez mais clara a necessidade de o povo brasileiro se organizar em torno de uma causa que modique nas mãos de quem será conduzida a história do nosso país. A luta pelo socialismo se fez e se faz cada vez mais atual, com participação ativa de jovens que se organizaram desde o período de colonização portuguesa.

Na nossa história, foi preciso derrotar esses setores por diversas vezes. O povo brasileiro sempre foi protagonista das lutas pela soberania do Brasil. Foi preciso organizar o povo para derrotas as diversas formas de exploração das nossas riquezas e da nossa população; foi preciso derrotar os senhores de escravo, as oligarquias, a Ditadura e o projeto neo-liberal da década de 90.

Hoje, o clima de otimismo se faz presente na vida de todos os brasileiros, graças à condução de um projeto diferenciado de país, em especial para o povo pernambucano. Pernambuco segue uma rota de crescimento de sua economia, com geração de empregos e oportunidades para sua população, mudando sua matriz econômica, ao deixar de ser um estado meramente agrário para se tornar um dos baluartes da indústria e C&T – Vai dar certo!

Na cola desse projeto, a juventude pernambucana atenta para que o desenvolvimento presente e futuro chegue para a parte da população que mais sofre com os males do capitalismo; é preciso fazer a juventude protagonista disso.

A descoberta do pré-sal e a grande conquista no que se refere aos grandes eventos esportivos trazem a esperança de que milhões de empregos sejam gerados e que a realidade de milhões de jovens mude nos próximos anos e para que, nosso país, continue, nesse cenário de crise, encontre a saída mais a esquerda possível, num caminho cada vez mais próximo à construção de uma sociedade socialista.

Este país tem de tudo para se tornar uma das maiores economias do mundo, e crescer a economia apenas não basta; é preciso desenvolver as condições de vida do povo. Além disso diversificar ainda mais os rumos de nossa economia, tornando possível a esperança e a participação da juventude nesse processo.

Acreditar que vai dar certo é o sentimento mais presente nos corações e mentes daqueles que constroem o movimento pelo socialismo no mundo. Pois entendemos que é na luta cotidiana, para construir um Novo Projeto Nacional de Desenvolvimento, realizando as 6 reformas estruturais, que construiremos um futuro diferente para nós e para os que virão. A luta pelo socialismo acumula forças, mesmo que haja um recuo estratégico das forças progressistas mundiais, e com um diferencial no processo de desenvolvimento do Brasil e da América Latina. Desenvolver o Brasil e o potencial desse povo nos leva a crer, cada vez mais, que nossa vitória não será por acidente. Vai dar certo!


UJS se prepara para a Conferência da Juventude



Jovens de todo o país estão sendo chamados a participar dos debates da 2ª Conferência Nacional de Juventude, que acontecerá em Brasília, no fim do ano, para contribuir com a elaboração do Plano Nacional de Juventude e do Estatuto da Juventude, já em tramitação no Congresso Nacional. Em Pernambuco, 54 cidades já agendaram suas Conferências da Juventude.

As propostas definidas nos municípios serão discutidas nas Conferências Regionais em Salgueiro, Caruaru, Carpina e Recife. A Conferência Estadual acontece nos dias 30 e 31 de outubro e 01 de novembro no Centro de Convenções de Pernambuco.

De acordo com Thiara Milhomem, coordenadora estadual da União da Juventude Socialista (UJS), os jovens de qualquer segmento podem e devem participar dos debates e realizar conferências livres.


sexta-feira, 12 de agosto de 2011

UNE lança sua nova Identidade Visual



A União Nacional dos Estudantes que comemorou ontem (11\08) 74 anos de muitas lutas em defesa do brasil, reafirma seu compromisso na defesa da soberania nacional e dá largada as comemorações dos 75 anos de cara nova. Houve uma verdadeira revolução na identidade visual da entidade, que simplificou sua logo marca e lançou novo layout para seu sítio da internet. E para divulgar essas novidades, a UNE, lançou em seu 52º congresso um pequeno vídeo justificando as mudanças na sua identidade visual. Vale a pena conferir e divulgar!


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quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Posse da nova diretoria da UNE: Plural e Representativa


Parlamentares e outras autoridades se revezaram na sessão solene da posse da nova diretoria da União Nacional dos Estudantes (UNE), na manhã desta quarta-feira (10), na Câmara dos Deputados em Brasília. Todos foram manifestar o compromisso de ajudar a entidade na luta pela melhoria na educação no Brasil. Do PSOL ao PSDB, parlamentares elogiaram a atuação da UNE em defesa do Brasil, não apenas na área educacional, mas como inspiração na prática política. 

Parlamentares se comprometem com UNE na posse da nova diretoria


O novo presidente, Daniel Iliescu, que comandou o evento, reafirmou o propósito da entidade de lutar, junto ao Congresso Nacional, para aprovar projetos que destina 10% do PIB (Produto Interno Bruto) e 50% do fundo social do pré-sal para a educação.

Ele e os demais oradores se uniram na defesa da ideia de que o desenvolvimento do país está ligado a uma educação de qualidade para todos. Iliescu disse que a solenidade de posse faz parte da programação do mês verde e amarelo, o mês de agosto que reúne data importante para a educação como o Dia do Estudante – 11 de agosto. 

O novo presidente da UNE, desmentindo a propaganda feita pela grande mídia, de que a juventude brasileira atual é despolitizada, disse que “o Brasil é feito de lutadores, exemplos de vida, que se dedicam e não tem medo de enfrentar poderosos e aqueles que não querem justiça social em nosso país”. 

E disse que reforçava, numa provocação positiva aos políticos, a convicção de exigir do governo federal e do congresso nacional que a prática da política seja feita com honestidade. Iliescu defendeu a aprovação de uma reforma política, para mudar a estrutura do País, que garanta avanços aos cidadãos e municie a política brasileira com prática mais honesta. 

A nova diretoria dá início a mais um ciclo de mobilização, que teve seu ponto de partida no Congresso da entidade, realizado no mês passado em Goiânia (GO). As primeiras atividades previstas são o encaminhamento das 59 emendas do Plano Nacional de Educação (PNE) e o lançamento oficial da participação da entidade na Jornada Nacional de Lutas, que este ano tem o tema “Agosto Verde e Amarelo”. Será um mês de muita mobilização, com diversas marchas e passeatas em todos os cantos do Brasil.

As falas dos oradores foram pontuadas pelas palavras de ordem dos estudantes: “Sou estudante/ não abro mão/ quero o pré-sal para educação”

Luta inspiradora

Severine Macedo, da Secretaria Nacional de Juventude, destacou, em sua saudação à nova diretoria da UNE, a necessária e importante participação da entidade na 2ª Conferência Nacional da Educação, que acontecerá de 9 a 12 de dezembro e vai definir rumos das políticas públicas para garantir inclusão da juventude brasileira. Para ela, além da grande militância em defesa da educação, a UNE tem também papel importante no processo de desenvolvimento do país.

A Deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ), declarou, em uma fala emocionada, que sempre que vai a eventos da UNE renova “sentimento fundamental e que permanece nas nossas atitudes, que deve ser o que nos identifica e nos marca, que é a atitude de compromisso com a verdade, a rebeldia, a ousadia e ação transformadora e revolucionária do dia-a-dia”. Para ela, que é coordenadora da Frente Parlamentar da Cultura, é impossível pensar cultura sem a educação e a mídia. “Nesse processo de luta, nada mais transformador do que esse tripé”, afirmou.

A Senadora Marinor Brito (PSOL-AP) comparou a luta do seu Partido com a luta dos estudantes. “A luta do PSOL é tão corajosa e combativa quanto as propostas aprovadas na UNE, sobretudo com relação a educação”. E manifestou o compromisso com a luta e resistência pela educação de qualidade e pela ficha limpa na prática política.

O Deputado Jorginho Mello (PSDB-SC) também recebeu aplausos dos estudantes ao manifestar o desejo de ter a entidade como interlocutor na discussão sobre o Pronatec (Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego) que deve ser aprovado até o próximo dia 20. E se colocou à disposição da UNE para outras discussões sobre educação para consolidar e ampliar conquistar nesse setor.

A Deputada Luciana Santos (PCdoB-PE) também falou. Ela lembrou a participação da juventude nos momentos importantes da história do Brasil. “Não se pode contar a história do país sem falar sobre a participação dos jovens, desde a luta pela instalação da república, contra a escravatura, na resistência à ditadura militar, na queda do Collor, na derrota da agenda neoliberal com a vitória de Lula”, disse, acrescentando que “precisamos ser cada vez mais propositivos para fazer frente à propaganda da grande mídia de que a juventude não está comprometida politicamente”. Segundo a parlamentar, “o momento é de luta por mais recursos para educação para garantir soberania do país, e aprofundar mudanças no combate a política de alta de juros nesse país”. “Avante e adiante”, conclamou Luciana.

Antônio Ronca, presidente do Conselho Nacional Educação (CNE), reafirmou compromisso de parceria com a UNE nas lutas para superar os enormes desafios que a educação brasileira ainda apresenta. “A partir do governo Lula melhorou muito, mas o que nós fizemos ainda é pouco. Precisamos fazer mais para combater desigualdade na educação e a qualidade que ainda é precária”, disse Ronca, destacando o compromisso do CNE com a luta pelos 10% do PIB para educação. “Juntos nessa luta”, concluiu.

O Deputado Tiririca (PR-SP) pontuou sua fala com tiradas engraçadas, como quando contou que foi vítima de “bullying” na escola, por ter uma cabeça grande, mas que na época ele acreditava que “bule” era a vasilha onde se colocava café. Ele disse que na verdade quem sofreu com o fato dele ter a cabeça grande foi mesmo a mãe dele, já que nasceu de parto normal. Depois de arrancar gargalhadas da plateia, ele encerrou suas palavras dizendo que “estou junto com vocês nessa luta pela educação”.

Joilson Cardoso, da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), disse que “a UNE nos inspira, quem faz política no Brasil, principalmente política de esquerda, tem na UNE grande fonte de inspiração” E disse ainda que “para a UNE, não temos que dizer nada, só somar, porque não haverá desenvolvimento digno nesse país sem as pautas da juventude e dos estudantes”. O sindicalista afirmou ainda que a luta dos estudantes por 50% dos recursos do pré-sal e 10% do PIB para educação é também bandeiras de luta das centrais sindicais.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Os que vêm, os que vão, os que voltam

Ano pré-eleitoral é uma confusão! Na cabeça do militante, sempre fica uma intrigante pergunta: Porque nosso partido passa por tantas transformações em tão pouco tempo? Ao longo desse período, podemos somar importantes baixas, mas em contra partida, adesões e voltas surpreendentes. Isso sim, nos dá um alivio e forças para continuar essa incessante luta de transformar nossa sociedade. Abaixo, compartilho um ótimo texto do secretário de organização do PCdoB: Walter Sorrentino, que aborda de forma mais do que satisfatória (para mim) esse tema que leva muitos militantes a uma reflexão sobre o cotidiano da militância.


Os que vêm, os que vão, os que voltam



 "Alguns vão, é da vida (e sobretudo da luta, dilemas de consciência) de qualquer partido e seus integrantes. Política é atividade conflitiva, por natureza. No caso dos comunistas, envolve convicções e motivações: se escasseiam, ou se prevalece a angústia com o futuro pessoal posto acima de tudo, é inevitável a separação, tanto quanto possível não litigiosa. É uma marca do tempo.

Isso vai a propósito de comunicado de desligamento recente de um deputado do Rio de Janeiro e outro da Bahia. São poucos os que vão, mas o lamentamos. Quisera que ponderassem mais as vicissitudes que os levam a tal atitude extrema, rompendo com trajetória, identidade e bases sociais determinadas.

Para cada um que se vai, neste momento milhares afluem ao PCdoB. Também é marca do tempo: um partido que abre as portas para o povo trabalhador e líderes da sociedade. Partido que tem ideias, estratégia definida, projeto político único democraticamente estabelecido e uma conformação organizativa definida. Partido que pode assumir compromissos claros com os que vão caminhar juntos para fortalecer a legenda. Onde cada um somos parte de um todo.

Pouco refletido, no entanto, é outro fenômeno de grande significado. Diversos dos que se foram voltam, em medida nada desprezível. Sentiram o “mercado” político-partidário hostil, carregado de concorrências pragmáticas, busca de poder sem ideias, legendas sem identidades definidas ou coerentes em cada parte do país. O PCdoB permanece um porto seguro e coerente, parecem dizer, e sua vida política interna é formativa.

Por isso, ao lamentar a saída de quem quer que seja, saudamos os que voltam. Euler Ivo e toda sua forte corrente de quadros de massas retempera o partido em Goiás. O ex-vereador Paulo Fonteles e a ex-deputada Sandra Batista se reintegram no Pará. No Amazonas retorna Dora. Em Santa Catarina e Rondônia há sinais no mesmo rumo. Em São Paulo foram vários exemplos de quadros expressivos com Djalma Batigalhia, entre outros, nos últimos anos.

Há fenômenos que não se medem pelo aspecto quantitativo; este é um deles, a nos mostrar a paciência e perseverança política a manter perante os conflitos dos quadros, e a demonstrar a eles que às vezes é preciso “dar tempo” e não perder a perspectiva para que as coisas se assentem em torno de um projeto político coletivo.