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segunda-feira, 12 de março de 2012

UJS em Pernambuco realiza curso \ plenária e convoca sua militância a ocupar as Redes e as Ruas!

Thiara Milhomen, presidenta da UJS, apresenta o plano do Congresso

O final de semana foi bastante movimentado para os dirigentes da União da Juventude Socialista em Pernambuco. Reunidos no Porto do Vasco, 60 dirigentes participaram de um consistente curso de formação marxista-leninista. Com aulas de Filosofia, Estado e Classe, Economia Política e Socialismo, os militantes se prepararam teoricamente para as lutas do próximo período.

No domingo, deu-se inicio a plenária estadual da UJS em Pernambuco, com a presença de mais 30 militantes que se uniram aos dirigentes que já estavam no curso. Na abertura, tivemos a presença do presidente nacional da UJS, André Tokarski e do Deputado Estadual, Luciano Siqueira. Após um importante debate sobre a conjuntura Internacional, Nacional e Estadual, os presentes se dedicaram a debater e aprovar um plano para a construção do 14º Congresso Estadual da UJS.

Após a apresentação, várias contribuições ajudaram a deixar o plano com a cara de nossa juventude. Foi aprovado um cronograma de atividades, um plano de metas e algumas alterações na direção estadual. Foi aprovado também uma grande mobilização para o dia 13 de março, data do lançamento nacional do 16º Congresso Nacional da UJS. Além do tuitaço: #NasRedesNasRuas, a militância da UJS irá organizar uma panfletagem em 8 cidades do estado. Participe! 

Professor Luiz Alves dando aula de Economia Política e Desenvolvimento
Agora é o momento de levar a UJS para o cotidiano da juventude pernambucana. Invadir as escolas, universidades, ruas, praças e as redes! Vamos firme construir o maior congresso da juventude brasileira! Em breve, o blog da UJS Pernambuco estará novamente no ar: http://www.pernambucoujs.blogspot.com/

Siga as novidades também pelo twitter: @ujspernambuco

Firme na Luta!


segunda-feira, 26 de setembro de 2011

A UNE onde sempre esteve

Por Luciano Siqueira*

Na vida cotidiana, ninguém suporta o sujeito que é do contra em qualquer situação. “De mal com a vida”, rotula-se como espécie de sinal para que se mantenha distância. Contamina o ambiente de trabalho, a vida familiar e o bate papo no botequim.

Mais do que uma chatice, o ser do contra em qualquer circunstância é um equívoco, pois nada é inteiramente errado ou certo. E é sempre recomendável não fechar os olhos ao que há de positivo, sob pena de uma análise unilateral, preconceituosa e distorcida da realidade. E em prejuízo da luta para mudar o que deve ser mudado.

No mundo da política é um veneno mortal. Conduz a conclusões que em nada servem de orientação a quem deseja fazer um juízo de valor dos acontecimentos e tirar consequências práticas.

O comportamento atual da União Nacional dos Estudantes (UNE) tem sido alvo sistemático desse modo parcial de analisar os fatos. Recorrentemente “analistas” da grande mídia tentam impor à entidade universitária dos estudantes brasileiros a pecha de “chapa branca”, insinuando adesão ao governo. Nada mais falso.

Na verdade, a UNE, a exemplo da UBES (União Brasileira de Estudantes Secundaristas) e outras entidades do gênero, guardam em relação ao governo uma postura ao mesmo tempo propositiva e crítica. Reconhecem e apoiam programas e medidas acertadas – porque sintonizadas com históricas e atuais bandeiras de luta dos estudantes -, e também criticam e protestam, quando há desacordo entre as políticas públicas e os interesses fundamentais da juventude estudantil. E alevantam a voz em defesa de solução para os problemas estruturais da educação.

Como acontece com as grandes manifestações de rua recentemente realizadas e a Carta aos Estudantes Brasileiros, divulgada no último 7 de setembro, assinada conjuntamente pela UNE, UBES e ANPG (Associação Nacional de Pós Graduandos), que reivindica uma reforma política ampla, que fortaleça a democracia e a participação popular e combata a corrupção e os privilégios de poucos. E conclama os estudantes a irem às ruas para recolher milhões de assinaturas pelos 10% do PIB e 50% do Pré-sal para a educação.

A Carta concita “a juventude brasileira a ocupar cada vez mais espaços, físicos e virtuais, nas ruas, nas escolas, nas universidades, na internet e nas redes sociais, sensibilizando a sociedade brasileira e pressionando todos os governos para aprofundar e ampliar as mudanças necessárias ao país”.

A UNE, portanto, está onde sempre esteve – de bem com a vida e com a luta democrática e popular. Quando apoia, não adere; quando critica, protesta e propõe, não se perfila inexoravelmente nas hostes oposicionistas (como desejam seus críticos). Antes revela maturidade consentânea com a quadra que o País atravessa, de mudanças sociais, econômicas e políticas de relevo – que para serem impulsionadas precisam, sim, do co-protagonismo consequente do movimento estudantil.


Publicado no Blog de Jamildo (Jornal do Commercio Online)

* Luciano Siqueira é Médico e Deputado Estadual pelo PCdoB em Pernambuco

sábado, 24 de setembro de 2011

Posse das diretorias da UEP e da UMES movimentam Pernambuco.


Na noite desta sexta-feira (23/09), um evento movimentou o cenário político de Pernambuco, aconteceu na Universidade Católica de Pernambuco a posse das novas diretorias da União dos Estudantes de Pernambuco (UEP - Cândido Pinto) e da União Metropolitana dos Estudantes Secundaristas (UMES). O evento contou com a presença de lideranças de diversos grêmios e diretórios estudantis do estado inteiro.

Com um ato político bastante representativo, que contou com a presença de Anísio Brasileiro (Reitor eleito da Universidade Federal de Pernambuco), Anderson Gomes (Secretário Estadual de Educação), Jurandir Liberal (Presidente da Câmara dos Vereadores do Recife, Luciana Santos (Deputada Federal), Luciano Siqueira (Deputado Estadual), Paulinho (Presidente do Conselho Estadual de Juventude), Sergio Goiana (Presidente da CUT-PE), Paula Falbo (Conselho Nacional de Juventude), Ângelo Raniere (1º Vice-presidente da UNE) e um representante da Reitoria da UNICAP.

Mais de 200 estudantes estiveram presentes e participaram ativamente cantando palavras de ordem como: "O Movimento Estudantil, Unificado pras Mudanças no Brasil" e "Estudante na rua qual é sua missão: 10% do PIB pra educação". 

Um fato que merece destaque, foi a fala do Deputado Estadual Luciano Siqueira. Num discurso emocionado, ele fez um breve histórico sobre um jovem idealista que foi perseguido pela Ditadura Militar e até hoje inspira gerações a lutar por seus ideias, o nome desse jovem é Cândido Pinto, ex-presidente da UEP, que hoje tem seu nome eternizado numa homenagem justa feita pela entidade que hoje se denomina: UEP - Cândido Pinto.

Após o ato político, foram apresentados os diretores da UEP e da UMES, que subiram ao palco e receberam o apoio dos estudantes presentes. Assim estavam empossadas as diretorias das duas entidades que mais representam os estudantes pernambucanos.

Diretoria empossa da UEP - Cândido Pinto

Diretoria empossada da combativa UMES

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sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Ismael Cardoso: UJS 27 anos, acender o pavio

Sob o olhar desconfiado da ditadura militar, que definhava, jovens se reuniam na assembléia legislativa de São Paulo, liam um manifesto aprovado naquele encontro que dizia: “Somos jovens operários, camponeses, estudantes, artistas e intelectuais. Buscando o futuro e a liberdade, os direitos que nos são negados, a esperança banida, a vontade subjugada.” Nascia no dia 22 de Setembro de 1984, a União da Juventude socialista!

Por Isamel Cardoso*

Arquivo UJS
 



Pela Juventude

O ano é 1987, em Brasília são intensos os debates sobre a nova constituição do Brasil, alguns jovens militantes da UJS chegam com uma missão quase impossível, garantir o direito aos jovens de votarem a partir dos 16 anos! Depois de mais de duas décadas de ditadura militar, aprovar não só o voto direto para todo o povo, mas, que este voto se inicie aos 16 anos parecia impossível, porém, fazia jus a uma organização que nascera como diz a música para “sonhar mais um sonho impossível”.

Os deputados Hermes Zanetti (PMDB-RS) e Edimilson Valentim (PCdoB-RJ) apresentam a emenda do voto aos 16 anos. No dia 17 de Agosto de 1988 a emenda vai à votação no plenário da câmara, defendem a proposta Afonso Arinos (PSDB-RJ), Maurilio Ferreira (PMDB-PE) e Bernardo Cabral (PMDB-AM) que era o relator da constituinte. Contados os votos o presidente da câmara Ulisses Guimarães anuncia o resultado, por 316 a 99 votos é aprovada a emenda constitucional do voto aos 16 anos de idade! A UJS marca profundamente a história do país e da juventude. No ano de 1989 retiram o título de eleitor três milhões e duzentos mil jovens com menos de 18 anos!

Pelo Brasil

Com a intenção de iniciar o projeto neoliberal no Brasil e envolvido em denúncias de corrupção Fernando Collor seria o primeiro presidente a ser impeachmado na história recente mundial. Foi a UJS que tomou à dianteira e iniciou as mobilizações do “Fora Collor”.

A sociedade não acreditava ser possível derrubar o primeiro presidente eleito pelo voto direto. Também existiam aqueles que não acreditavam na juventude, no movimento estudantil, um deputado chegou a dizer em plenária na época que a UNE havia morrido, em resposta o deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP) disse que ele deveria tomar cuidado, pois, “se surpreenderia com a vitalidade do defunto”, três meses depois explodem grandes passeatas por todo país lideradas pela UNE e pela UBES. Lindberg Farias e Mauro Panzera, respectivamente presidentes da UNE e da UBES, eram dirigentes da UJS.

A volta dos caras pintadas treze anos depois

Depois de longos anos de muita resistência, a luta do povo brasileiro cria um feito dos mais belos de sua história, elege um nordestino, um ex-operário, da a ele o primeiro diploma de sua vida, o diploma de Presidente da República, o Brasil elege Luiz Inácio Lula da Silva.

Com uma economia em frangalhos é necessário erguer o projeto nacional de desenvolvimento, porém, este projeto não era e não é o projeto daqueles que sempre governaram, que a 500 anos saqueavam o país, a eleição de Lula era só um passo, muita luta seria e ainda é necessária para fazer valer um projeto de país avançado.

Em 2005 inicia-se uma grande ofensiva da direita com graves denúncias de corrupção. O que quero observar neste momento da história é a sagacidade política da União da Juventude Socialista, enquanto muitos se escondiam, choravam, pois, não acreditavam mais ser possível dar continuidade naquele momento ao projeto popular eleito em 2002, nós dissemos não! Eram 500 anos de história para que chegássemos até aquele momento, era preciso lutar, ocupar as ruas!

Foi assim que através do movimento estudantil propusemos a volta dos “caras pintadas”, mas, diferente de 1992, este movimento não viria para derrubar o presidente, pelo contrário, para garantir a continuidade de seu mandato. O Presidente da Câmara na época era o Dep. Aldo Rebelo (PCdoB-SP) afirmou que para derrubar o presidente teria de ser nas ruas. Todas as atenções estavam voltadas para aqueles meninos e meninas que estavam alojados no estádio Mané Garrincha e, que de la saiam todos os dias de manhã para mobilizar os estudantes de Brasília. A sociedade estava dividida.

No dia 16 de agosto de 2005 em Brasília e, por vários dias em todo o país a resposta a elite foi uma só, “Não passarão!” e, o mandato do presidente foi garantido. Mais uma vez a ousadia, a percepção aguçada daqueles e daquelas que lutam incansavelmente por um país melhor falou mais alto e, ajudamos juntos com várias outras organizações juvenis a transformar profundamente a nossa história.

O cheiro de pólvora no ar

O capitalismo enfrenta uma de suas maiores crises, o sistema financeiro está se dissolvendo. Até o momento tudo que Barack Obama fez foi salvar 22 bancos e demitir 25 milhões de trabalhadores, além de entrar em mais uma guerra invadindo a Líbia. Tem sido assim, aumento da miséria e da violência por todo o planeta.

O Brasil não é imune a esta crise, a presidenta Dilma deu boas respostas aos problemas econômicos, mas, ainda é muito pouco, chegará a hora em que não será mais possível sustentar este modelo econômico que de um lado garante uma certa distribuição de renda aos trabalhadores e de outro paga mais de cem bilhões aos banqueiros, lacaios ou, na linguagem do povo, verdadeiros agiotas! Uma hora esta corda arrebentará, e de que lado ela vai arrebentar é a grande questão!

Elevar a consciência do povo para esses problemas é a tarefa imediata e, faremos isso repetindo o que fizemos no mês passado, ocupando o Banco Central muitas outras vezes. Lutar pela reforma política é outra questão fundamental, é evidente que o congresso nacional vive uma crise institucional e, as passeatas contra a corrupção são uma resposta – embora tenham um alvo muito limitado – a esta crise institucional.

Taxar as grandes fortunas tem sido a tônica em todo o mundo e no Brasil é quase um pecado tocar neste tema, mas, não é pecado que os mais pobres paguem mais impostos como tem ocorrido, não é pecado que o Brasil consuma mais de 40% do seu PIB enchendo as burras da banca financeira!

Honrar a história de lutas da juventude é manter-se em permanente mobilização, A UJS existe para isso, para transformar a história de seu povo, para construir o socialismo. Há um cheiro de pólvora no ar e se isso é verdade, cabe a nós tentar acender este pavio!

*Ismael Cardoso é Diretor de Comunicação da UJS.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

A UJS comemora 27 anos de muitas lutas e com muito vigor.

Em homenagem aos 27 anos da gloriosa União da Juventude Socialista (UJS), posto em meu blog o Manifesto para reafirmar nossa ideologia e manter vivo nas nossas mentes nossos ideias. A UJS completa 27 anos neste dia 22 de setembro (dia Nacional da Juventude) com um importante histórico de lutas e conquistas para a juventude brasileira.

Apesar do tempo, a UJS continua firme, forte e combativa. Nossa entidade está mais viva do que nunca e com um vigor de dar injeva. Estamos presentes em todos os estados e no distrito federal. Disputamos e conquistamos a opinião da juventude brasileira e lutamos para que ela tenha dias melhores, com igualdade de oportunidades e garatia de serviços públicos de qualidade. Queremos um Brasil Socialista e todos podem fazer parte dessa luta nos ajudando a construstruir uma nova história do Brasil!

Se você está querendo mudar o Brasil, não fique só na vontade. Venha pra UJS e lute por uma sociedade mais justa junto com a gente. Aqui aprendemos a conhecer melhor o Brasil, sem as farsas da históriografia oficial. E assim, juntos, conseguiremos apontar as saídas para nossas desigualdades históricas e construir uma nação soberana, idenpendente e desenvolvida plenamente.

Viva a UJS, viva a Juventude Brasileira!!


Socialismo com a nossa cara
Manifesto da UJS

1. Nos bancos das escolas e universidades, no cotidiano do trabalho das fábricas e repartições, nas periferias, no duro ofício de lavrar a terra, nas praças, ruas, palcos, quartéis, campos, praias e festas dizemos: Presente!

2. Somos milhões de faces que dão a cara jovem ao Brasil. Somos socialistas porque, somos jovens e andamos abraçados com o futuro e a busca da felicidade - desejos que são diariamente frustrados nessa sociedade capitalista que não tem perspectiva e só nos oferece a desilusão e a exploração.

"Há tempos são os jovens que adoecem" [Legião Urbana]

3. Aqui no Brasil somos discriminados e postos de escanteio. Amargamos o não aproveitamento do melhor de nossa criatividade e energia na imensa fila dos desempregados. A placa de "NÃO HÁ VAGAS" é a senha de nossa exclusão e marginalização. Somos milhões que não têm acesso às universidades ou a nenhuma forma de ensino profissionalizante. O analfabetismo ainda atinge muitos de nós. Nas escolas e universidades encontramos um ensino elitista, atrasado e conservador, sem investimentos e democracia.

4. Toda a nossa história e a nossa cultura expressadas em incalculáveis prosas e versos, em livros e nas artes, que constituem um fantástico patrimônio cultural, inclusive já encenadas no cinema, teatro e televisão, não são acessíveis a todos. No Brasil, permanece o monopólio dos meios de comunicação, que não permitem a expressão da cultura popular e a propagação de idéias e da pluralidade.

5. Para nós, oferecem o individualismo, a discriminação e a exclusão social. As drogas, além de serem tratadas como crime, são lembradas somente nos telejornais, persistindo a absurda ausência de uma mínima política de Estado capaz de tratar o problema como uma questão de saúde pública, o que acaba somente por enriquecer os capitalistas e o tráfico.

6. Nossas cidades não nos oferecem espaços públicos de esporte e lazer, não temos acesso à mobilidade urbana e ainda enfrentamos graves problemas de moradia. Nas periferias falta segurança pública e a realização de outros direitos fundamentais para o nosso desenvolvimento pleno. A insegurança toma conta dos grandes centros. Esse meio não nos interessa, não nos satisfaz, queremos cidades capazes de incluir a todos sem discriminação de crença, cor, gênero e classe social.

7. Queremos acesso à saúde pública de qualidade e universal. Somente assim combateremos as epidemias e as doenças que atingem a parcela mais necessitada de nosso povo. Não queremos enriquecer a indústria farmacêutica nem o oligopólio dos planos de saúde privada. É preciso investir em saúde preventiva e em qualidade de vida.

8. Nossa sexualidade precisa ser respeitada, livre de dogmas e de visões conservadoras. Não nos oferecem educação sexual nas escolas e não temos acesso a métodos contraconceptivos. São milhares de jovens que enfrentam uma gravidez sem nenhuma proteção e acompanhamento. Por ser tratado como crime e não como problema de saúde pública, o aborto em clínicas de fundo de quintal acaba sendo a única alternativa para interromper uma gravidez precoce e indesejada. Muitos jovens são vitimados pela Aids, por falta de informações e meios de prevenção. No Brasil, a sexualidade é banalizada e reproduz o machismo e a homofobia.

9. Nosso meio ambiente é vítima da insanidade capitalista que o degrada, polui e destrói. O Brasil do futuro depende do equilíbrio entre o desenvolvimento e a preservação das nossas riquezas naturais.

"Quem quer manter a ordem?" [Titãs]

10. Os donos do poder afirmam que vivemos uma democracia porque temos eleições. Escondem que as regras dessa ordem só servem para os que têm poder financeiro.

11. Essa democracia nos discrimina não nos ouve e não nos serve. Somos considerados o futuro e, no presente, não temos espaço para opinar, participar e decidir. Mesmo esta falsa democracia cada vez mais é atacada e limitada.

12. A violência nos persegue o tempo todo. Muitos dos nossos nos ferem ou se matam em disputa entre gangues, ou são espancados pelos próprios pais.

13. Outros recebem uma bala perdida ou são vítimas de assalto ou perseguição. No capitalismo não temos paz.

14. Nossa liberdade é extremamente vigiada e reprimida. As elites e os meios de comunicação discriminam o negro, tratando-o como escravo "moderno" e deformando sua história. Às mulheres não dão igualdade de direito e não entendem sua realidade e suas diferenças. A homossexualidade é tratada como doença e não como livre orientação sexual. Preconceito e discriminação são as marcas do nosso tempo.

"Que país é este?" [Legião Urbana]

15. Com um povo criativo, num vasto território e riqueza de fazer inveja, nosso gigante viveu por séculos ajoelhado. O Brasil ainda precisa avançar na sua independência em relação aos países imperialistas, em especial os Estados Unidos.

16. O que move a chamada globalização é a busca do lucro, o desejo de acabar com a soberania dos países, explorar seus trabalhadores, destruir suas culturas e anexar suas riquezas. Conduzido neste rumo em décadas de submissão, nosso Brasil viu sua bandeira pisoteada, sua independência destruída e seu futuro comprometido.

"Quero ver quem paga pra gente ficar assim" [Cazuza]

17. Nossa história está marcada pelo atraso e pela subordinação extrema. Portugal, Inglaterra e Estados Unidos, foram eles, ao longo do tempo, que promoveram a escravidão, a monocultura, o atraso industrial, o desenvolvimento dependente e, mais recentemente, a tentativa de desindustrialização e da transformação do nosso em mercado de bugiganga.

18. Mas não foram eles os únicos responsáveis por esta triste história e pelo rumo atual. Os latifundiários, praga secular do nosso país, sempre sustentaram este rumo através da violência e do coronelismo político.

19. A chamada burguesia brasileira, incompetente e adepta do projeto imperialista, em sua maioria, sempre se subordinou aos interesses de seus patrões e de seus subordinados externos. O capital financeiro aqui já surgiu ligado aos grupos monopolistas estrangeiros.

"Homem primata, capitalismo selvagem" [Titãs]

20. Se o capitalismo em nosso país é trágico para o povo, no mundo não é diferente. Em sua fúria exploratória tenta fazer do mundo inteiro um vasto campo para sua ganância. Proprietários da tecnologia fazem suas mercadorias e capitais percorrerem o mundo com velocidade. Trilhões de dólares circulam nos sistemas financeiros como nuvens por todo o globo, vivendo somente da especulação e do roubo.

21. Globalizado o capitalismo, globalizada a exclusão capitalista, que arrasta milhões para a miséria, as doenças, a fome e a morte. Globalizado o capitalismo, globalizado o caráter desumano, cruel e ineficiente. Globalizada a necessidade de superá-lo, de pôr fim nesta barbárie "moderna".

"... carro alegre, cheio de gente contente..." [Pablo Milanés]

22. Assim é a história: a juventude e os povos do mundo não se calam diante do caos capitalista. Em todos os continentes se levantam vozes e punhos contra o capitalismo e seus males. Exigem direitos sociais, defendem seu país, sua liberdade e assim, de dedo em riste, encaram o capitalismo, negador dos seus anseios.

"Mas eu não sou as coisas e me revolto" [Carlos Drummond de Andrade]

23. A história do capitalismo é também a história de resistência à exploração e de defesa de outra sociedade. Esta luta gerou em 1848, pelas mãos dos jovens alemães, Karl Marx e Friedrich Engels, o Manifesto do Partido Comunista, programa básico de luta contra o capitalismo e em defesa do Socialismo. Programa que até hoje nos inspira. Em 1917, sob o comando de Lênin e outros revolucionários, o Socialismo provou, na velha Rússia, que o capitalismo não é eterno. Em poucas décadas o Socialismo alterou a face do mundo, levando à construção da União Soviética e à vitória de vários povos do Leste Europeu e da Ásia. Nestas suas primeiras experiências históricas provou que é superior ao capitalismo ao oferecer direitos sociais e uma nova perspectiva de vida para a humanidade, mesmo vivendo sob o constante cerco capitalista. Jamais um país enfrentou tantas agressões. E, ainda assim, foi a URSS que derrotou a agressão nazista, perdendo 22 milhões de patriotas, abrindo uma época de mais direitos sociais, democracia e o fim do colonialismo.

24. No entanto, o povo, força principal da revolução, foi perdendo protagonismo. A democracia e a liberdade foram se reduzindo para os trabalhadores e a juventude. A vida cultural e científica passou a ser tratada com oficialismo, fatores que desarmaram as forças revolucionárias, levando ao fim deste primeiro ciclo socialista na URSS e no Leste Europeu. Mas o tempo não pára. A resistência e a evolução do Socialismo na China, em Cuba, no Vietnã e outros países, junto com a luta dos povos em todo o mundo, abrem caminhos da nova luta pelo Socialismo, em especial na Ásia e na América Latina.

25. Esses reveses, nas primeiras experiências socialistas, revelam erros e mostram a necessidade de aprimorarmos mais seu projeto. A construção do Socialismo está apenas no começo. Hoje perseguimos a edificação de um novo tempo, humanizado, igualitário, que constituirá as bases do Socialismo em nosso século. No Socialismo com a nossa cara, o Brasil experimentará a sua própria experiência, construída a partir da nossa própria história.

"Canta, canta, minha gente / deixa a tristeza pra lá / canta forte, canta alto / que a vida vai melhorar..." [Martinho da Vila]

26. Temos alegria e rebeldia para derrotarmos a face velha e capitalista do Brasil e em seu lugar colocarmos o Socialismo com a nossa cara. O Brasil socialista que queremos terá um poder popular, uma República de trabalhadores que acabará com a exploração e nele haverá a verdadeira liberdade e a mais ampla democracia para o povo e para a juventude.

27. O ser humano, como seu primeiro objetivo, será libertário e criativo, incentivando o conhecimento e a transformação, será justo e igualitário. A terra e as empresas trarão benefícios para todos e não somente para um punhado de capitalistas. O trabalho passará a ser um valor fundamental do desenvolvimento humano. Nosso país socialista se relacionará com o mundo de forma independente, respeitando a autonomia dos outros povos. Romperemos as amarras que nos mantiveram tanto tempo de costas para o nosso continente e finalmente assumiremos nossa identidade latino-americana.

28. Nosso povo, internacionalista, apoiará as lutas de outros povos por um mundo melhor. No Brasil socialista, nós jovens seremos considerados uma força presente e nele conquistaremos o espaço para discutir, participar e decidir sobre nossos interesses e sobre o rumo do país.

"Os meninos e o povo no poder..." [Milton Nascimento e Fernando Brant]

29. Não queremos fórmulas. O nosso Socialismo será verde e amarelo, tocará viola, fará hip-hop, dançará samba e rock. Fará carnaval e jogará futebol. Será construído a partir de nossa realidade e caminhos que nós descortinaremos.

30. Beberá da experiência da história da luta do nosso povo. Terá o vigor dos versos abolicionistas de Castro Alves, a revolta de Zumbi, o desejo de liberdade de Tiradentes, a bravura de Helenira Rezende, de Osvaldão e dos guerrilheiros do Araguaia, o hino democrático das Diretas Já, a cara jovem e pintada do Fora Collor, e a alegria dos que comemoraram a chegada de forças políticas oriundas dos partidos populares e dos movimentos sociais ao governo do país. Guardará a lembrança daqueles que ontem resistiram e hoje resistem ao neoliberalismo e que carregam consigo a bandeira da esperança e a certeza de que o futuro nos pertence.

31. Beberá também da história da nossa América Latina, da vontade de unidade que moveu Bolivar, da revolução camponesa de Zapata, da luta de Sandino, do exemplo de dedicação e combatividade de Ernesto Che Guevara.

32. Nele, conquistaremos emprego digno, ensino público e gratuito, de qualidade, para todos, em todos os níveis. Nele garantiremos acesso à arte produzida em nosso país e no mundo. Lutaremos por uma nova cultura, progressista, popular e brasileira, por incentivos e espaços aos nossos artistas. A ciência e a tecnologia deverão ser desenvolvidas e utilizadas para nossos interesses, não para generalizar desemprego, destruir a natureza ou produzir armas e guerra.

33. Queremos que esporte e lazer façam parte do nosso cotidiano e que tenhamos facilidade para viajar para todos os lugares de nosso país.

34. Os grupos de extermínio terão que acabar e a polícia, ao invés de nos perseguir, vai ter que prender aqueles que destroem a natureza, que roubam o dinheiro do povo, que vendem a droga e promovem a prostituição.

35. Brasileiro, formado pelas várias etnias que se somaram e criaram um povo novo, nosso Socialismo terá de acabar de fato com a discriminação e os preconceitos de toda a espécie. Nele exigiremos direito à saúde, à habitação e ao futuro. A natureza será protegida como será protegido o nosso povo. Nossa infância terá atenção e em vez de viver jogada pelas ruas, terá o direito de brincar e de crescer sorrindo. Ajudaremos a acabar com o analfabetismo e com a ignorância. O povo aprenderá a linguagem dos computadores e da Internet, mas não deixará de lado o seu hábito de diálogo franco e seu contato social permanente. Queremos que TVs, Rádios, Cinemas e todos os meios de comunicação deixem de ser instrumentos de quadrilhas e sirvam aos nossos interesses.

36. Parece utopia, mas é plenamente realizável. Nós transformaremos a face do Brasil. Nunca negamos nossa rebeldia e força para as grandes transformações. A revolução que queremos exige muita luta. Não será obra fácil. De sua edificação terão que participar os trabalhadores do campo e da cidade, a juventude, os artistas e as personalidades populares. A união popular será a arma principal para vencermos. Dela deverão participar os sindicatos, as entidades estudantis e todas as organizações do povo. Os partidos do povo, unidos, deverão também fazer parte de uma ampla frente por uma vida nova.

"O homem coletivo sente a necessidade de lutar" - [Chico Science]

37. É para construir essa vida nova que te convidamos. A solidão não cabe para nós, pois vivemos a luta deste tempo - cruel sim, mas também desafiador. Juntos escreveremos a história desse novo Brasil que desejamos.

38. Aqui, na União da Juventude Socialista, vão se encontrar as bandeiras vermelhas, verde-amarelas e os nossos anseios, nossa rebeldia, nossa solidariedade e a luta diária pelo Socialismo. Não nascemos para o silêncio, nascemos para cantar e viver outra vida, melhor e mais justa. Assim será a república de trabalhadores que ajudaremos a construir. Nela estarão "os meninos e o povo no poder...". Nela estará hasteada bem alta a bandeira do Socialismo e, nas faces, estampada a nossa alegria.

 
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terça-feira, 20 de setembro de 2011

Rosa da UBM se une às cores do arco-íris na Parada da Diversidade

O Bloco da Diversidade e a União Brasileira de Mulheres (UBM) ocuparam um dos dez trios elétricos que participaram da 10ª edição da Parada da Diversidade em Pernambuco no último domingo (18). A grande novidade ficou por conta da Ala das Mulheres, que reuniu as mulheres lésbicas organizadas pela UBM, além de representantes do Coletivo LGBT de diversas entidades.


 

“O Bloco da Diversidade vem para a rua com a missão de difundir o respeito às diferenças com muita alegria e irreverência”, afirmou Irene Freire, uma das coordenadoras da agremiação, que há dois anos participa também do carnaval. Ela destacou ainda que historicamente as paradas reforçam as diversas orientações sexuais, mas as mulheres ainda ficam invisíveis dentro do evento, daí a importância da iniciativa. Os representantes das demais entidades reforçaram também a importância do respeito à diversidade.

Além da UBM, representantes do PCdoB; da União da Juventude Socialista (UJS); da União dos Estudantes de Pernambuco (UEP); da União Municipal dos Estudantes Secundaristas (Umes), da Associação Nacional dos Pós-Graduandos (ANPG) e do Coletivo de Lésbicas de Pernambuco (Comlês) também participaram da Parada.

Sem Homofobia

Foto: Marisa Lima
Mais que festa, a Parada da Diversidade é um grande ato político contra o preconceito e a discriminação e de reivindicação da garantia de direitos. Para o coordenador do Fórum LGBT, Nicolas Júnior, o resultado dos movimentos de luta contra discriminação sexual tem sido satisfatório. “Vejo que a participação da população no segmento LGBT vem crescendo em Pernambuco, com isso a homofobia no nosso estado tem diminuído. Queremos que a sociedade respeite a diversidade”, afirmou.

Músicas eletrônicas, dez trios elétricos, Drag Queens, bandeiras com as cores do arco-íris e manifestantes do segmento LGBT tomaram conta da capital pernambucana. O palco do Dona Lindu, contou com as apresentações de Drag Queens e shows da banda Swing do Pará, das cantoras Wanessa Camargo, Michele Monteiro, Lia Morais, Andréa Luiza e DJ Chell.

Foto: Marisa Lima
A orquestra de frevo do Clube Seu Malaquias, passistas campeões de Pernambuco, bonecos gigantes, pernas de pau, escola de samba Galeria do Ritmo, Maracatu de Baque Solto Cruzeiro do Forte e Maracatu de Baque Virado Leão da Campina, deram o tom da festa.

A programação teve início com a 1ª Corrida pela Diversidade, organizada pela Secretaria de Esportes do Estado, com 3,4 quilômetros de percurso.

Presentes ao desfile, o prefeito do Recife, João da Costa, a secretária municipal de Direitos Humanos e Segurança Cidadã, Amparo Araújo, além de políticos de vários partidos.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

UJS lança nota de solidariedade ao Partido Comunista do Chile

A União da Juventude Socialista (UJS) publicou nesta quarta-feira (14) uma nota de solidariedade ao Partido Comunista do Chile (PCCh), cuja sede nacional foi atacada em repúdio às manifestações que vêm ocorrido no país. As principais lideranças do movimento estudantil que conduzem as manifestações pertencem à Juventude Comunista do Chile (JCC).

Confira a íntegra da nota:

"Marchamos Juntos com a Juventude Chilena "


A União da Juventude Socialista tem acompanhado de perto as manifestações estudantis que arrastam milhares de pessoas no Chile.

Por uma educação pública, gratuita e de qualidade, tendo recebido inclusive as lideranças dessas manifestações aqui no Brasil, como a estudante Camilla Vallejo, principal expoente estudantil do Chile.

Diferente do Brasil, que caminha a passos largos para uma democracia robusta, que tem ampliado a inserção da juventude na educação superior, que lançou recentemente um plano para construir três milhões de vagas no ensino técnico, o Chile vive uma realidade bastante diferente, pois, os milhares de estudantes tem ocupado a meses as ruas de todo o país, em especial de sua capital, Santiago do Chile, para pedir algo que a todo mundo é um direito consagrado, “gratuidade na educação pública”.

Porém, uma minoria fascista, vivandeiras do “Pinochismo”, se incomodam com qualquer tipo de luta popular, ainda mais quando esta luta é dirigida pelos (a) comunistas, pois, embora a grande imprensa tente esconder a todo custo, as manifestações estudantis do Chile, que na ultima passeata arrastou trezentas mil pessoas, é liderada pela Juventude Comunista do Chile (JCC) e, pelo Partido Comunista Chileno (PCCh).

Na última segunda-feira (12 de Setembro) a sede do PCCh foi atacada por um grupo ainda não identificado, a sede teve janelas e móveis destruídos, quatro militantes que estavam presentes foram agredidos e, foram levados materiais audiovisuais e celulares. É exatamente nesta hora que os verdadeiros inimigos da democracia, tão acostumados a atacarem através da grande imprensa os comunistas, demonstram verdadeiramente sua catadura reacionária, seu autoritarismo!

A União da juventude Socialista repudia qualquer tipo de ataque a juventude que luta apenas por democracia, que luta por garantir um futuro melhor para seu país, que durante décadas, desde o regime violento de Augusto Pinochet, tem negado a sua juventude o direito básico a educação. Marchamos lado a lado com a juventude chilena e, em especial com a União da Juventude Comunista do Chile (UJCC), em defesa dos direitos humanos e do Socialismo!"

Fonte: UJS e Vermelho

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Estudantes da UNICAP ocupam reitoria em defesa da Regulamentação do Ensino Superior Privado!

Desde a segunda-feira (29\08), estudantes da Universidade Católica de Pernambuco (UNICAP) ocuparam a Reitoria em defesa da Regulamentação do Ensino Superior Privado. Após várias tentativas de audiência com os Reitores da Instituição, os estudantes, liderados pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE), a União dos Estudantes de Pernambuco (UEP - Cândido Pinto) e com o apoio da União Nacional dos Estudantes (UNE) decidiram radicalizar e montaram acampamento no Hall de acesso da Reitoria.

Foto: Marcos Paulo - @trilhanofio
Após 4 dias, os Reitores da instituição cederam a pressão e marcaram para o dia de hoje (01\09) a tão esperada reunião para que sejam apresentadas as pautas estudantis. O movimento surgiu após o avanço das empresas privadas sobre o Hall do Bloco G e A que deveriam ser um espaço livre para os estudantes promoverem ali sua cultura, arte e utilizar como espaço de convivência. Para dar estopim ao movimento, o Diretório Central dos Estudantes (DCE) foi impedido de promover uma atividade cultural nos mencionados espaços. De forma arbitraria, a reitoria decidiu cancelar a atividade em cima da hora.

Foto: Matheus Lins - @linsmatheus
Além disso, os estudantes da UNICAP lutam por:

- Congelamento das Mensalidades
- Redução das taxas administrativas
- Volta das Bolsas Atleta e de Monitoria
- Mais investimentos para as Licenciaturas
- A retirada do Bugaloo - Em defesa da alimentação Saudável!
- Volta das impressões na Biblioteca
- Multa da Biblioteca de R$ 1,00 sem cobrança nos Finais de Semana
- Abertura das contas da Universidade a sociedade
- Requalificação dos Aparelhos de Esporte e Lazer
- Parcelamento e Renegociação das dívidas dos Estudantes
- Eleição Direta para Reitor

Confira abaixo, matéria publicada no sitio da União Nacional dos Estudantes (UNE):

Agosto Verde e Amarelo: Em Pernambuco, estudantes ocupam Reitoria da UNICAP:

Rhonney Fekete, Presidente do DCE-UNICAP
Durante à tarde da última segunda-feira, dia 29, estudantes do Diretório Central dos Estudantes da Universidade Católica de Pernambuco (UNICAP) ocuparam a reitoria da universidade. A ocupação faz parte da jornada de lutas do Agosto Verde Amarelo da UNE.

Entre as reivindicações dos estudantes está a reforma do DCE, a volta das bolsas atleta e monitoria para os estudantes, a diminuição das taxas administrativas e investimentos na infra-estrutura da faculdade.

De acordo com o presidente do DCE da UNICAP, Rhonney Fekete, a decisão da mobilização e ocupação aconteceu após um espaço da universidade, um hall onde aconteciam eventos e atividades culturais organizadas pelos estudantes, ter sido vendido à empresas privadas, o que passou a impossibilitar tais atividades: “Isso acarretou a indignação do DCE e dos estudantes. Em vez de investirem em bibliotecas e na reformulação das grades curriculares, eles estão vendendo espaço físico”, afirmou.

O presidente da UEP, Thauan Fernandes, esteve presente na ocupação apoiando a mobilização dos estudantes. “O ato tem uma importância muito grande se pensarmos na sua abrangência. É o puro significado do sentimento dos estudantes em relação ao ensino privado”, disse. E ele ainda completa: “O ato acontece na principal universidade privada do estado e todas as pautas levantadas aqui são necessidades da maioria das pagas brasileiras. A partir desse ato, os estudantes falam o que querem, enfocam a regulamentação do ensino privado, e tem a consciência que isso tem extrema relevância no desenvolvimento brasileiro”.

No momento, cerca de 30 estudantes encontram-se na reitoria, e não há previsão para terminar a ocupação. Os estudantes afirmam que a universidade sempre cria empecilhos para a realização das atividades do DCE e não reconhece a atual gestão da entidade. “Não temos previsão para terminar a ocupação. Estamos bastante mobilizados e com muita adesão dos alunos. Foi bom o Thauan ter vindo, mostrou a todos que a manifestação é legitima e que a UEP sabe das necessidades dos alunos e nos apóia”, finalizou Rhonney Fekete.



Firme na luta!

#OcupaUNICAP
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segunda-feira, 29 de agosto de 2011

#ForaRicardoTeixeira une as torcidas no Brasil inteiro

Nos estádios, torcidas pedem saída de Ricardo Teixeira, o Movimento contra o presidente da CBF toma conta da rodada do Brasileiro.


As torcidas prometeram e cumpriram. Neste domingo (28), houve protesto nos estádios do Brasil contra o presidente da CBF, Ricardo Teixeira. Os torcedores dos principais times do Campeonato Brasileiro distribuíram panfletos e levaram faixas e cartazes pedindo a saída do cartola do comando da entidade máxima do futebol nacional.

Todos os clássicos realizados às 16h contaram com manifestações pacíficas contra o dirigente. As torcidas abusaram da criatividade. No Gre-Nal, os colorados levaram letras que formaram o pedido de saída de Ricardo Teixeira. (foto ao lado)


No Engenhão, no duelo entre Flamengo e Vasco, muitos cartazes dos dois lados das arquibancadas apareceram, enquanto em Presidente Prudente, no confronto entre Palmeiras e Corinthians, a torcida alviverde fez lindo mosaico pedindo para que Ricardo Teixeira deixe a presidência da CBF.

Torcida do Palmeiras faz uma bonita festa pedindo o FORA TEIXEIRA
Todos juntos! #FORARICARDOTEIXEIRA
Para o bem do futebol brasileiro. Com Ricardo Teixeira não haverá copa do mundo!


terça-feira, 23 de agosto de 2011

UNE convoca #MarchaDosEstudantes, dia 31 de agosto, em Brasília




Fechando o Agosto Verde e Amarelo, UNE convoca estudantes para marcha pela defesa dos10% do PIB e 50% do fundo social do Pré-sal para educação

O mês de agosto será encerrado com um importante dia para o movimento estudantil: uma grande marcha, dia 31, em Brasília, reunindo estudantes de todo o país pela campanha #educacao10, para garantir 10% do PIB e 50% do fundo social do Pré-sal para a educação.

Milhares de jovens brasileiros estão se mobilizando e organizando caravanas rumo a capital do país para participar da grande marcha. Para o presidente da UNE, Daniel Iliescu, o Brasil vive momento único de oportunidades em diversas áreas e precisa se convencer de que é “necessário e urgente priorizar a educação em todas as suas etapas”.

“Vamos às ruas nessa jornada para tornar público o debate deste Plano Nacional de Educação que é tão decisivo. Precisamos envolver a sociedade para discutir a educação que queremos para os próximos dez anos”, explicou Daniel.


Agosto Verde e Amarelo

Durante o mês de agosto, a UNE, UBES e a ANPG viveram um período de fortes mobilizações, chamado de Agosto Verde e Amarelo para levantar as bandeiras de luta da UNE, 10% do PIB e 50% do fundo social do Pré-sal para educação.

As mobilizações começaram no dia 4 de agosto, quando a entidade participou de uma histórica passeata em São Paulo, junto a 80 mil trabalhadores das centrais sindicais pela redução da jornada de trabalhos para 40h. Durante a manifestação, Iliescu chamou os estudantes para as causas dos trabalhadores e ressaltou a importância de levantar e lutar pelas bandeiras do movimento estudantil.

Outro momento marcante do Agosto Verde e Amarelo foi a posse da nova diretoria da UNE, dia 10 de agosto, na Câmara dos Deputados, em Brasília, quando também foi comemorado o 74º aniversário da entidade (que acontece dia 11 de agosto). A solenidade reuniu a nova diretoria executiva da gestão e mais de 30 deputados, ministros, senadores e representantes de movimentos sociais como o MST, CUT, CTB e ANPG e o presidente do Conselho Nacional da Educação, Antônio Carlos Caruso Ronca. Na mesma ocasião, a UNE declarou apoio à greve da FASUBRA, por melhores salários para os professores.

A mobilização do movimento estudantil chegou ao Uruguai. Durante os dias 10 a 15 de agosto, a entidade levou ao país uma delegação de mais de 700 estudantes de todo o Brasil para participar do 16º CLAE, o maior fórum de discussão do movimento estudantil da América Latina.

O presidente da UNE, Daniel Iliescu, apresentou no congresso as bandeiras de luta da entidade e propôs uma Jornada Continental de Lutas em março de 2012, organizada pela OCLAE “A integração da América Latina é também a integração das nossas lutas.

No dia 16, a Marcha das Margaridas, em Brasília, contou, também, com a participação e o apoio da UNE. Trabalhadoras vindas de todos os cantos do país tiveram uma agenda intensa de atividades na capital do país.

Entenda os 50% do Fundo Social do Pré-Sal pra Educação

Sem um financiamento robusto, o desafio de qualificar a educação e democratizar o acesso fica cada vez mais distante. È assim que a UNE, em conjunto com outras entidades que compõem o movimento estudantil (A UBES e a ANPG), lançou em outubro de 2009 a campanha pelos 50% do fundo social do Pré-sal para educação.

Essa é a luta por um novo marco regulatório do petróleo brasileiro, que inclui a criação deste fundo social, e relaciona-se diretamente com a soberania e o desenvolvimento do país. A proposta de 50% foi aprovada pelo Congresso Nacional, mas vetada pelo poder executivo no final de 2010.

Nesse mês, dia 4 de agosto, aconteceu uma nova e importante vitória: o projeto de lei apresentado pelo senador Inácio Arruda (PCdoB-CE), venceu sua primeira etapa na tramitação no congresso ao ser na comissão de infra-estruturar do senado.

Entenda os 10% do PIB pra Educação

Somada à luta pelos recursos do Pré-sal, está a defesa da destinação de 10% do PIB para educação. Esta é uma das emendas que a UNE fez ao Plano Nacional de Educação, atualmente em tramitação no Congresso Nacional. O PNE traça as metas para a educação brasileira nos próximos 10 anos e, por isso, seu conteúdo terá impacto sobre toda uma geração de estudantes.

É no quesito financiamento que mora o principal problema do plano, que prevê ampliar gradualmente os recursos até atingir 7% em 2020. A UNE, em conjunto com outros setores do movimento educacional, luta para elevar o investimento em educação para 7% do PIB ainda em 2011, até, em 2014, atingir os 10%. “Somente com mais investimentos em educação é que vamos viver o novo Brasil que queremos, sem miséria e livre do analfabestismo”, explicou Iliescu.

É assim que a UNE lidera a bandeira “Educação 10”, para que se crie as condições para o investimento na educação em todos os níveis e permitir que esta área tão estratégica par ao desenvolvimento do país finalmente possa sanar a dívida histórica que possui com o povo brasileiro.

Para ler as 59 emendas do Plano Nacional da Educação (PNE) propostas pela UNE e pela UBES, acesse:

http://www2.camara.gov.br/atividade-legislativa/comissoes/comissoes-permanentes/cec/plano-nacional-de-educacao/PNEemendasUNEeUBES.pdf

Fonte: www.une.org.br

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

A UNE e as armas de 1961

Conhecida a notícia da inesperada renúncia do Presidente Jânio Quadros, na manhã de 25 de agosto de 1961, e noticiada a decisão dos ministros militares de impedir a posse do Vice-Presidente João Goulart, a UNE decretou greve geral e seu presidente recém-empossado Aldo Arantes seguiu para Porto Alegre.

Por Luiz Manfredini *


Foi juntar-se ao Governador Leonel Brizola, que comandava a reação ao golpe. Na época a entidade com maior capacidade de mobilização no País, a UNE lançou nas ruas da capital gaúcha e das principais cidades brasileiras, durante os dias dramáticos da resistência, vagalhões de estudantes. Somados a outros contingentes populares, eles foram decisivos na derrota do golpismo militar.

Aldo desembarcou em Porto Alegre acompanhado por seu assessor Herbert José de Souza, o Betinho. A cidade que ambos encontraram era uma praça de guerra. Cinquenta anos depois o cenário ainda é vivo na memória de Aldo. “Era uma paisagem e um clima de guerra civil, eu nunca tinha visto aquilo no Brasil”, lembra. Canhões antiaéreos pelas ruas, onde massas de povo marchavam para defender a cidade. 

O Palácio Piratini, onde Aldo e Betinho apresentaram ao Governador Leonel Brizola o apoio da UNE, estava cercado por sacos de areia, automóveis, jipes, bancos da Praça da Matriz, trincheira defendida por civis armados e milicianos da Brigada Militar. No topo, ninhos de metralhadoras. Para além das barricadas, o povo. Milhares de estudantes e trabalhadores aglomeravam-se em torno do palácio.

O que Aldo e Betinho não viram – mas saberiam mais tarde – é que a atmosfera de luta estendia-se por todo o Rio Grande do Sul. Os centros de tradições gaúchas, espalhados pelo Estado, arregimentavam o povo e o armavam com revólveres, espingardas e mesmo lanças e facões. Muitos desses gaúchos, com suas botas, bombachas e lenços no pescoço afluíam para Porto Alegre, preparados para a luta. Comitês de mobilização formaram-se entre estudantes e trabalhadores, intelectuais e artistas. Irreconciliáveis nos campos de futebol, Grêmio e Internacional se uniram em favor da luta.

De fato, o Governador Brizola erguera em armas todo o Rio Grande do Sul para garantir a posse do Vice-Presidente João Goulart. A mobilização contagiou mesmo os gaúchos que não haviam votado em Jango. Naqueles dias dramáticos, em que o País beirava a guerra civil, Aldo Arantes, aos 22 anos de idade, recém-empossado na Presidência da UNE, vivia a primeira das tantas provas que lhe reservaria sua extensa e efervescente vida política nos 50 anos seguintes.

Jânio: breve e controverso

Empossado na Presidência da República em 31 de janeiro de 1961, sete meses depois, na manhã de 25 de agosto, Jânio Quadros renunciou, acusando “forças ocultas” que, garantiu, inviabilizavam o exercício do seu mandato. O episódio nunca foi devidamente esclarecido, pairando até hoje a suspeita de que, com a renúncia, ele pretendia deflagrar um movimento popular por sua permanência com poderes excepcionais. Se esse foi mesmo seu objetivo, falhou. 

A breve passagem desse político extravagante, quase caricato pelo Palácio do Planalto tem sido lembrada mais pelas medidas excêntricas adotadas: a proibição das rinhas de brigas de galos, de espetáculos de hipnotismo e letargia em auditórios, de corridas de cavalos em dias úteis, de lança-perfume e do uso do biquíni em concursos de beleza pela televisão, entre outras esquisitices. Mas o que o conduziu ao impasse foi seu desprezo pelos partidos e pelo o jogo político-parlamentar e seu relativo isolamento da ortodoxia conservadora que pavimentou seu caminho rumo à Presidência. 

Se na política interna Jânio rezou pela cartilha conservadora, nas relações externas sua conduta “autônoma e independente” (assim ele próprio a definiu) afrontou os ditames da guerra fria, que estava no auge, e ligavam o Brasil aos interesses dos Estados Unidos. Reatou relações diplomáticas com a União Soviética, votou contra o isolamento de Cuba proposto pelos Estados Unidos, enviou missão especial e plenipotenciária aos países socialistas do Leste europeu, com os quais o Brasil ainda não mantinha relações e autorizou viagem exploratória do Vice-Presidente João Goulart à China. 

Ao Presidente argentino, Arturo Frondizi, chegou a sugerir a formação de um bloco dos dois países, autônomo e independente em relação aos Estados Unidos, mas sem alinhar-se com o bloco soviético. Era entusiasta do Movimento dos Países não Alinhados, liderado pelo Presidente da Yugoslávia, o ex-guerrilheiro Joseph Broz Tito, cuja foto mantinha à vista de todos em seu gabinete no Planalto. Por fim, num gesto terminal, condecorou o líder cubano Ernesto Che Guevara com a Ordem do Cruzeiro do Sul. Era o dia 19 de agosto de 1961.

Havendo renunciado, os ministros militares vetaram a posse de Jango por se tratar de “um comunista”. Expediram ordem para prendê-lo logo ao desembarcar.

Às armas, cidadãos!

O homem que Aldo Arantes encontrou no Palácio Piratini, comandando a resistência legalista de metralhadora na mão, “era muito determinado, firme, sabia o que queria e exercia uma liderança muito forte no Estado”. Ainda novo, cheio de energia, Leonel Brizola transformou-se numa grande liderança nacional ao anunciar, na madrugada de domingo, 27 de agosto de 1961, pelas rádios Guaíba e Farroupilha, sua disposição de resistir ao golpe, à bala se necessário. E convocava o povo a segui-lo. E os gaúchos o seguiram.

Brizola mandou a Brigada Militar ocupar as rádios Guaíba e Farroupilha e a Companhia Telefônica, de modo que passou a dominar todas as comunicações em Porto Alegre. Controlou o movimento da Varig, requisitou três mil revólveres calibre 38 da fábrica de armas Taurus e estabeleceu um posto de recrutamento de populares para a resistência na Avenida Borges de Medeiros, um prédio em formato de mata-borrão, por isso assim apelidado. Em apenas cinco dias, 45 mil pessoas se inscreveram no Mata-borrão e entraram em filas para receber armas e treinamento. 

Um dos líderes dessa mobilização popular era João Amazonas, então dirigente principal do Partido Comunista do Brasil (na época ainda PCB) no Estado. De fora, o movimento recebeu o apoio solitário de um só governador: Mauro Borges, de Goiás. Mas as ruas do Brasil estavam com a resistência gaúcha, que era uma resistência brasileira. E isso encurralou os militares golpistas.

Na manhã do dia 28 de agosto, por intermédio do General Orlando Geisel, o Ministro da Guerra ordenou por rádio ao comandante do III Exército, General José Machado Lopes, que contivesse Brizola, usando para tanto toda a tropa disponível no Rio Grande do Sul e a que mais necessitasse de outros pontos do País, inclusive empregando a Aeronáutica para bombardear o Piratini, caso isso fosse necessário. A resposta de Machado Lopes foi lacônica: “Cumpro ordens dentro da Constituição vigente”. E abandonou a sala. Dirigindo-se ao Piratini, comunicou a Brizola que o III Exército – antes expectante - aderia formalmente ao movimento de resistência ao golpe e pela posse imediata do Vice-Presidente João Goulart.

Aos 61 anos, Machado Lopes não tinha nada de esquerdista. Seu currículo era conservador, de liberal-cristão anticomunista, incluindo oposição ao tenentismo (movimento progressista dos militares nos anos 20) e à sua manifestação mais contundente, a coluna Prestes, além do combate armado contra a insurreição comunista de 1935. Sob suas ordens estavam 120 mil homens no Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, então o maior contingente do exército brasileiro. “O apoio do comandante do III Exército foi uma das razões pela quais a luta pela legalidade terminou tendo êxito”, comenta Aldo.

A UNE nas ruas

Aldo Arantes passava os dias no Piratini, articulado com o comando legalista. Saía apenas para ajudar na mobilização dos estudantes gaúchos, dirigidos pela Federação dos Estudantes Universitários do Rio Grande do Sul (FEURG), que jogou papel essencial na resistência. Realizavam passeatas, debatiam nas assembléias gerais, Foram os estudantes que arrancaram os bancos da Praça da Matriz para reforçar as barridas em torno do palácio. Na carroceria de caminhões, chegavam às para a concentração em torno do palácio.

Como o Ministro da Guerra ordenara o lacre dos cristais de várias emissoras de rádio de Porto Alegre, Brizola mandou transferir para os porões do Piratini os transmissores da Rádio Guaíba. Tinha início a Cadeia da Legalidade, transmitindo 24 horas mensagens de resistência para todo o Brasil e também para o exterior. A única música transmitida era o Hino da Legalidade, composto por Paulo César Peréio. As principais alocuções eram 
do entusiasmado Governador gaúcho, dirigindo-se ao povo brasileiro, e de Aldo Arantes que, em nome da UNE, relatava aos estudantes brasileiros a evolução dos acontecimentos, apresentava diretivas de ação, conclamando à mobilização. Em várias capitais os estudantes eram convocados para ouvir, nas praças públicas, a palavra do Presidente da UNE.

O povo na rua mudou o curso dos acontecimentos. Na Base Aérea de Canoas, sargentos furaram os pneus e desarmaram os aviões que, sob ordens do Ministro da Aeronáutica, deveriam bombardear o Palácio Piratini. Em todo o Paraná, os quartéis do III Exército ficaram com a legalidade. A exceção foi Santa Catarina, onde a base da Marinha aderira aos golpistas, abastecendo os navios que seguiram para sufocar o movimento legalista. Mas acabou isolada.

Jango: a volta e a posse

A renúncia de Jânio Quadros pegou de surpresa o Vice-Presidente João Goulart, que estava em Singapura, retornando de viagem oficial realizada à China. Enquanto Jango cumpria um retorno intencionalmente demorado ao Brasil (Singapura, Paris, Nov York, Buenos Aires, Montevidéu e, finalmente, Porto Alegre), gestava-se no Congresso a solução intermediária e conciliatória para sua posse: a adoção do parlamentarismo, que transferia para o Congresso e o Presidente do Conselho de Ministros boa parte das prerrogativas presidenciais. 

Jango desembarcou em Porto Alegre no dia 1o de setembro à noite. O jovem Aldo Arantes estava no Palácio Piratini quando o Vice-Presidente chegou acompanhado por Brizola, sob o cerco de uma entourage afobada e barulhenta. O clima, no entanto, não era só de festa. Naquele instante, era mais tenso que festivo. Aldo não presenciou, mas soube de uma discussão áspera, em reunião reservada, entre Jango e Brizola. O governador insistia em não aceitar o acordo parlamentarista. Mas o virtual Presidente já o havia acatado. 

O homem que Aldo Arantes viu sair na sacada do Palácio Piratini estava calmo, afável, embora cansado. E acenava para a multidão. A ovação que recebeu, ribombando pela Praça da Matriz e cercanias, não ocultou, entretanto, vaias aqui e ali dos que, como Brizola, resistiam à solução parlamentarista. Alguns desses chegaram a atear fogo às faixas e cartazes com o nome de Jango e gritar: “Covarde! Covarde!”. Mas a ovação foi soberana.

Jango embarcou para Brasília no dia cinco de setembro, a bordo de um Viscount da Varig. Em outro aparelho, Aldo Arantes, Betinho e os membros da comitiva oficial. Soube-se, mais tarde, que oficiais extremistas da aeronáutica pretendiam abater o avião que transportava Jango. Mas qual dos dois seria abatido, ou seriam ambos? Era a chamada “Operação Mosquito”, que afinal foi abortada. Aldo e Betinho desembarcaram no aeroporto de Viracopos, em Campinas.

João Goulart foi empossado como Presidente da República no dia sete. Brizola não o acompanhou, nem participou das solenidades. Ao discursar no Congresso, “Jango fez uma menção rápida ao governador gaúcho e o movimento da Legalidade, sem citá-lo pelo nome com que ficara conhecido”, segundo relato do jornalista Flávio Tavares. Tancredo Neves, Deputado Federal pelo PSD mineiro, foi escolhido Primeiro-Ministro. No Ministério, nenhum nome do Rio Grande do Sul. 

Aldo Arantes e Leonel Brizola desenvolveram, na breve, porém intensa luta democrática de agosto de 1961, profundos laços de afeto. “Fomos amigos para o resto da vida”, diz Aldo. E lembra que, findo o movimento e ao se despedir do Governador gaúcho, dele recebeu um revólver Rossi 38 “como símbolo da resistência”. Do presente, ficou apenas a lembrança. “Infelizmente, durante a ditadura militar, eu dei este revólver para um sujeito que estava na luta armada”. 

“A mobilização dos estudantes foi tão forte, tão decisiva para o sucesso da resistência que, dias depois da posse, o Presidente João Goulart e todo seu ministério visitaram a sede da UNE para agradecer”, lembra-se Aldo. “Foi um ato marcante”, diz, “pois pela primeira vez um Presidente da República ia à sede da UNE”. Somente 40 anos depois outro Presidente esteve por lá: Luiz Inácio Lula da Silva, eleito em 2002.

Imediatamente após a posse de Jango, a direita militar e civil, embora derrotada, continuou a conspirar, organizada, sobretudo, no secreto Instituto de Pesquisas Econômicas e Sociais (Ipes) e no Instituto Brasileiro de Ação Democrática (Ibad) que, entre outras iniciativas, financiava a eleição de candidatos anticomunistas. Começava, sub-repticiamente, a ser escrita a história do golpe de 1964

* Manfredini é jornalista e escritor em Curitiba, integra o Conselho Editorial da revista Princípios, representa no Paraná a Fundação Maurício Grabois e é autor de As moças de Minas (1989/2008) e Memória de Neblina, a ser lançado este ano.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Dilma anuncia expansão da rede educacional com novas universidades

Um dos compromissos de campanha à Presidência da República saiu do papel e começa a ganhar forma com o anúncio do plano de expansão da Rede Federal de Educação Superior e Profissional e Tecnológica. Assim, o país irá ampliar ainda mais a oferta de vagas em universidades e institutos federais até 2014.

O plano – apresentado no Palácio do Planalto, nesta terça-feira (16), em cerimônia que atraiu ministros, governadores, prefeitos e educadores – teve a comemoração da presidente Dilma Rousseff, que o classificou como o início de uma nova etapa da educação brasileira.Hoje nós demos inicio a uma nova etapa de expansão. É grande a minha satisfação, pois torno realidade um compromisso assumido na minha campanha à Presidência da República”, disse a presidente Dilma, para em seguida recordar que foi no governo do ex-presidente Lula e do ex-vice-presidente José Alencar, que não tiveram formação universitária, que começou o processo de construção de campi de universidades e escolas técnicas.

Dilma Rousseff apresentou os números do plano de expansão para ilustrar os avanços no setor educacional. Ela lembrou que o país chegará ao fim de 2014 com duas vezes e meia o número universidades. Nos próximos anos, serão criadas quatro novas universidades federais, abertos 47 novos campi universitários e 208 novos Ifets, disse a presidente.

“Os números falam por si. Nos próximos quatro anos, meu governo entregará 208 novos Ifets. Quando chegarmos em 2014, o Brasil terá 500 Ifets. É um número muito importante para o país, que não quer mais ser um país aquém do potencial da população”, destacou.

A presidente destacou também outro ponto: levar o ensino técnico e universitário para o interior do país, como meio de promover o desenvolvimento de cada região. As novas universidades federais serão instaladas no Pará, na Bahia e no Ceará.

A Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa) terá sede na cidade de Marabá; já a Universidade Federal da Região do Cariri (UFRC), no Ceará, terá sede em Juazeiro do Norte.

O estado da Bahia ganha duas instituições: a Universidade Federal do Oeste da Bahia (Ufoba), com sede em Barreiras, e a Universidade Federal do Sul da Bahia (Ufesba), que terá sede em Itabuna.

Ainda no discurso, a presidente Dilma lembrou que os instituto federais contam atualmente com 600 mil alunos. Ela comentou também sobre o esforço do governo federal em combinar a oferta e vagas públicas em universidades privadas por meio do ProUni. Deste modo, alunos de famílias carentes podem cursar a rede privada de ensino superior. Porém, a presidente esclareceu que se os antecessores tivessem feito a expansão da oferta de universidades e escolas técnicas o país estaria num posto mais avançado.

Dilma Rousseff pediu apoio dos parlamentares para aprovação do Pronatec, proposta já enviada ao Congresso Nacional. “Falo aqui também do Pronatec. Peço aos parlamentares que nos ajudem na aprovação do Pronatec. É aquele programa de ensino médio que introduz na educação brasileira um momento decisivo que é a formação técnica e profissional. Vai significar para o Brasil aumento de melhora da qualidade do emprego”, destacou.

A presidente comentou também sobre o programa Ciência sem Fronteiras, que colocará à disposição 75 mil bolsas de estudo, com recursos federais, em universidades no exterior. Ela previu também outras 25 mil bolsas custeadas pela iniciativa privada. No final, destacou o momento pelo qual o Brasil atravessa que irá exigir mais investimentos, seja em infraestrutura, seja na formação dos jovens brasileiros, e descartou qualquer risco de contágio por parte de outros países que enfrentam crises financeiras e onda de protestos.

Recursos

O ministro da Educação, Fernando Haddad, informou que o plano prevê investimentos de cerca de R$ 7 milhões para cada unidade de Ifet, e entre R$ 15 milhões e R$ 20 milhões para implantação dos campi em cada município. Haddad concedeu entrevista coletiva após a solenidade.

Sobre a votação no Congresso Nacional do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec), o ministro disse acreditar que as lideranças parlamentares “estarão sensíveis em relação a esse projeto que é imprescindível para o desenvolvimento nacional”.

Vídeo Institucional do Governo Federal