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sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

A UNE e a comunicação



Por Rafaella Dotta, no jornal Brasil de Fato:

De 18 a 21 de janeiro de 2013, foi realizado o 14º Conselho de Entidades de Base da UNE, em Recife. Os debates foram tão quentes quanto o clima e desencadearam promessas de parcerias entre a entidade estudantil e os movimentos sociais.

Com nomes de peso e uma sala lotada, a democratização da comunicação esteve presente entre os principais temas de debate da conjuntura. Os convidados que compuseram a mesa foram Nelson Breve (presidente da Empresa Brasileira de Comunicação – EBC), Altamiro Borges (presidente do Centro de Estudos da Mídia Alternativa do Instituto Barão de Itararé) e Laurindo Leal Filho (professor da Escola de Comunicações e Artes da USP).

A comunicação foi ressaltada por seu potencial de contribuição à democracia. À medida que consegue investir poder e voz a grupos historicamente oprimidos, cria-se um campo de representações mais igualitário, baseado na força social do grupo e não no seu poder econômico. Esta concepção será necessária ao reformular as leis de comunicação, pois incide na relação entre mídia e público definindo quais serão as informações prioritariamente divulgadas.

Na América Latina, alguns países estão atualizando a sua legislação. É o caso de Bolívia, Argentina, Venezuela, Equador e México, onde está se dando atenção especial para o quesito convergência de mídias. Os chamados conglomerados de comunicação estão reunindo um número cada vez maior de veículos e criando interfaces entre eles, como no caso de um canal de TV que tem seus vídeos disponibilizados na internet. Os limites entre as mídias ficam, assim, quase impossíveis de serem definidos.

O professor Laurindo Leal pergunta à platéia: “Como fazer uma regulamentação considerando apenas a TV e o rádio?”. A telefonia, por exemplo, ocupa hoje um lugar relevante como fornecedora de informação, mas a sua regulamentação é da época em que celulares só faziam ligações. Em um chamado à atualização da Constituição brasileira, no debate defendeu-se que a comunicação seja tratada de forma conjugada. Ou melhor, de forma convergente.

Com apontamentos e demonstrações de avanço por parte de alguns governos latino americanos, olhamos para o Brasil. As análises apontaram um retrocesso em relação ao governo Lula. Segundo os debatedores, a única ação positiva, desde a Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), foi a reativação do Conselho de Comunicação Social. E, para o ano de 2013, o comprometimento do governo em realizar uma consulta pública sobre o tema.

Apostando na dobradinha luta social mais pressão institucional, a UNE convocou a sua Jornada de Lutas para março de 2013 e, através da fala de líderes estudantis de quase todas as forças políticas que compõem a entidade, convidou os movimentos sociais à participação. De acordo com o presidente da UNE, Daniel Iliescu, os temas da Jornada são “conquistar mais direitos e avanços para o Brasil, como os 10% do PIB para a educação, o fim da violência contra a juventude negra, melhores condições de trabalho no campo e na cidade, e claro, mais democracia na mídia e na política’’.

O movimento por democratização da comunicação há muito chama a atenção das demais organizações civis para que se engajem nessa bandeira. E ultimamente, parece que a necessidade apareceu. É importante continuarmos colocando peso em nossos próprios veículos, mas a democratização dos meios de comunicação de massa significa não deixar que uma minoria, através do serviço de desinformação que prestam, siga colocando a população contra qualquer indício de um desenvolvimento mais igualitário.


quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Educação de qualidade, garantia de um futuro promissor.


Falar em Educação é, sem dúvida, falar sobre o nosso futuro. Dela depende se seremos uma população justa e próspera ou se continuaremos a produzir desigualdades e miséria. Nos últimos 9 anos, a área educacional brasileira prosperou bastante. Foi iniciado um novo ciclo de investimentos, mesmo assim, ainda não foi o suficiente. Nossas escolas não preparam os jovens para a cidadania, nem para o mundo do trabalho, e isso é um retrocesso que precisamos enfrentar.

Pensamos a educação como um sistema nacional, que priorize a educação pública e gratuita, garantindo qualidade e caráter social. Um sistema universal, que erradique o analfabetismo, garanta acesso e permanência a todos e se relacione com o mercado de trabalho. Não podemos mais ver as mulheres abandonarem os estudos e empregos por não ter com quem deixar seus filhos. Temos que garantir creches em horário integral.

Nosso ensino básico precisa de mais investimentos e uma mudança profunda em sua matriz curricular. Que introduza noções teóricas sobre o mundo do trabalho e disciplinas praticas de aprendizado de oficios, como designer gráfico, marcenaria, contabilidade simples, etc. Queremos a inclusão imediata da disciplina de historia e cultura afro-brasileira, como regulamenta a lei 10.639/03.

Lutamos para que as escolas tenham infraestruturas arrojadas e que garanta a acessibilidade de pessoas com deficiência, com quadras poli esportivas, espaços de convivência, laboratórios, biblioteca, lousa digital, além de acesso as novas tecnologias e a banda larga. Acreditamos também que é necessário investir pesado na valorização dos professores e profissionais da educação (gestores, pedagogos e tecnicos administrativos), garantindo formação continuada, mais concursos públicos e aumento substancial da remuneração dos professores. Queremos gestões democraticas e transparentes, onde toda a comunidade escolar possa participar e opinar.

Em resumo, queremos uma escola que aprofunde os conhecimentos básicos, mas que apresente ás crianças e aos jovens, o uso da tecnologia e o mundo do trabalho, que tenha forte integração social com a comunidade, que pratique o desporto, incentive a cultura e as artes como parte da formação educacional. Para isso, um passo significativo é a ampliação da jornada diária de aula para no mínimo 7 horas diárias.

Temos ciência que nosso município tem poucas condições financeiras para implementar tudo isso. Somos uma das cidades que menos arrecada na região metropolitana do Recife e temos a 5ª maior densidade demográfica do país. Mas não podemos nos apequenar diante dos desafios. Muitas conquistas do nosso povo se deram por acreditar na superação dos obstaculos. Lutamos para que 10% do PIB brasileiro fosse destinado a educação. E agora, temos que lutar para que o governo federal, junto com o governo estadual invista na educação básica, que é de responsabilidade dos municípios. Assim, conseguiremos garantir mais conquistas para melhorar a qualidade de vida das pessoas.

Fruto de muitas lutas do movimento estudantil e da União da Juventude Socialista (UJS), conseguimos garantir esse ano, a construção de duas escolas técnicas em Olinda. Uma federal (IFPE) e outra estadual (ETE). Que vão mudar a cara de nossa cidade. Com essas escolas tecnicas, poderemos dar uma oportunidade aos nossos jovens e trabalhadores de se qualificar para mercado de trabalho. Lá serão ofertados cursos que melhorarão a qualificação profissional de nosso povo, garantindo assim, melhores empregos e melhores salários. Um futuro melhor está por vir.

Além do ensino técnico, precisamos garantir que nossos jovens consigam acessar a Universidade. Para isso, precisamos melhorar a qualidade do ensino básico e criar programas municipais que invistam nos estudantes mais destacados. Cursinhos públicos e populares que intensifiquem o empenho e dedicação de vários jovens que sonham em entrar na Universidade. Além disso, precisamos fortalecer as faculdades privadas do municipio com programas de extensão que levem seus conhecimentos as comunidades que as cercam, garantindo assim a popularização da conhecimento e a melhora da qualidade de vida dessas comunidades.

Precisariamos de várias páginas para fazer uma radiografia da nossa Educação. Sabemos que estamos diante de um grande desafio, mas iremos para o embate. Lutamos para ter uma câmara dos vereadores que discuta com a sociedade os principais temas que afetam cotidianamente nossa vida. Para nós a Educação é um tema transversal que influencia em tantos outros, como os esportes, a cultura, a saúde, a segurança pública. Sem educação de qualidade, jogamos nossas crianças e jovens na marginalidade. Para eles, o que sobre é o mundo das drogas e da violência. Acreditamos que podemos ajudar a encaminhar mudanças significativas para nossa cidade, para isso temos que ouvir e defender as mais diversas opiniões para conquistar um novo tempo.

Olinda precisa pensar no futuro. Pensando nele, lançamos nossa candidatura para defender o projeto iniciado por Luciana Santos e hoje continuado pelo prefeito Renildo Calheiros. Vamos seguir na luta para melhorar a qualidade de vida da população. E a educação será uma prioridade, pois com ela, conseguiremos avançar rumo a um futuro promisso e sem desigualdades.


Por Matheus Lins

terça-feira, 29 de março de 2011

Jornada de Lutas em Recife cobra democracia nas escolas!

Em jornada de lutas desde o dia 21, até o dia 25 de março, a União Nacional dos Estudantes (UNE), a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES) e a Associação Nacional dos Pós-Graduandos (ANPG) invadiram as ruas de todo o país para cobrar mais investimentos na educação brasileira. Em pauta estavam os cortes de 3 bilhões anunciados por Dilma Rousseff, a luta por um PNE com a cara dos estudantes e 50% do fundo social do pré-sal pra educação. Ocupações de reitorias, passagens em salas, audiências públicas e passeatas deram a tônica dessa jornada que mobilizou mais de 100 mil estudantes em todo o país. Na apoteose da Jornada Nacional teve até para-quedista com bandeirão e audiência com a presidenta Dilma Rousseff e o Ministro da Educação Fernando Haddad.


 Aqui no estado de Pernambuco aconteceram duas passeatas simultâneas. Uma em Caruaru, no agreste pernambucano e outra em Recife. A data escolhida foi o dia 24 de março. Além das pautas nacionais sobre o PNE e o Pré-sal, bandeiras de lutas como a autonomia da Universidade de Pernambuco e a luta pela estadualização das Autarquias Municipais de ensino e pelo plano estadual de assistência estudantil deram o tom da passeata.



A caminhada começou em frente ao Ginásio Pernambucano e foi pela Avenida Conde da Boa Vista em direção ao Palácio dos Campos da Princesas. Cerca de 3 mil estudantes ocuparam as ruas para cobrar do governo do estado mais verbas para a educação.

Um fato curioso que aconteceu durante o processo de mobilização, também ajudou a dar a tônica da manifestação. Estudantes foram proibidos de entrar nas escolas estaduais de ensino integral para organizar a passeata e também para organizar as entidades estudantis. Vários diretores alegam que as escolas de tempo integral não precisam de grêmios ou organizações estudantis pois tem qualidade garantida. Qualidade garantida? Não é isso que alegam os estudantes dessas escolas que assistem de perto a falta de democracia chegar em suas escolas. Merenda para uns e lanche para outros, professores bem remunerados de um lado, professores mal remunerados do outro. Essa escola integral não é a que os estudantes querem, precisa melhorar muito mais e ter DEMOCRACIA!

Estudantes acorrentados cobram democracia nas escolas integrais.
Outro fato curioso aconteceu na concentração. Além de proibir a participação dos estudantes, a diretoria do Ginásio Pernambucano trancou todo mundo dentro da escola impedindo que os estudantes fossem para a rua. Vários ficaram na porta gritando em protesto a falta de democracia. Além disso, no Ginásio Pernambucano existe um sistema de câmeras que vigia os estudantes o dia todo. 

Estudantes do GP trancados dentro do colégio que não permite ter grêmio


Ao final da passeata, os estudantes foram recebidos por uma comissão do governo do estado para debater os temas da jornada de lutas. Estavam presentes na reunião: Virginia Barros (Presidenta da UEP), Manuela Braga (Presidenta da UMES), Vinícius Barbosa (Vice UNE/PE), Anne Benevides (Diretora da ANPG) Thalita (Diretora de Assistência Estudantil da UNE), Jacy (Presidenta do Grêmio do IFPE), Thamires Lucena (Presidenta do DCE-UPE) além de outra lideranças estudantis.



Foi formada uma comissão especial para debater a falta de democracia nas escolas estaduais.


Firme na Luta!