quinta-feira, 27 de março de 2014

O golpe de 1964, 50 anos depois

Olinda sedia evento sobre a ditadura civil-militar nesta sexta (28), as 19h, na Casa da Praça (Buffet Andréa Guerra)


João Goulart estava em viagem oficial à China quando Jânio Quadros renunciou em 1961. O vice só retornou ao Brasil depois de aceitar governar em regime parlamentarista. Uma vez no poder, adotou discurso considerado de esquerda e implementou políticas trabalhistas. O golpe de 1964 não se originou apenas da mobilização das Forças Armadas. Parte da sociedade civil (setores da burguesia e o grande empresariado), que temia a aproximação de Jango com a esquerda, apoiava a ação militar e passou a conspirar para que o presidente fosse deposto. Desde o suicídio de Vargas, em 1954, o Brasil vivia na iminência de um golpe pela pressão da oposição e instabilidade nas Forças Armadas. Militares e políticos ameaçavam se rebelar. Era como se pudessem tomar o poder a qualquer hora.

Não foi apenas um golpe político. Foi também um golpe econômico, cultural e social. Implementou uma política dependente dos interesses norte americanos e jogou a maior parte da sua população a sua própria sorte. As atuais desigualdades sociais brasileiras advêm desse período de repressão, onde as demandas sociais fora ignoradas e duramente combatidas. Todos aqueles que lutavam em defesa do povo foram perseguidos, torturados e assassinados. Precisamos sempre lembrar! Para que não se esqueça, para que não mais aconteça!
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terça-feira, 25 de março de 2014

PCdoB 92 anos


Hoje comemoramos 92 anos do Partido mais combativo da história do Brasil. Nascido na Rio de Janeiro, em 1922, em meio a grandes jornadas do nosso povo por democracia efetiva, trabalho digno e melhoria na qualidade de vida nos centro urbanos, o PCdoB já nasceu com a cara e a identidade do povo brasileiro. 

Foi organizado sob a orientação marxista-leninista, de viés internacionalista, pela certeza de que a luta dos trabalhadores não se limita aos limites de cada nação. Durante toda sua história foi perseguido, teve seus quadros assassinados, seus registros e mandatos cassados, mas suas ideias permaneceram firmes, mesmo quando a capitulação aconteceu por entre seus próprios quadros. Em 62, se reorganizou e reafirmou sua identidade com a luta dos trabalhadores. Caiu na clandestinidade em 64 e ousou edificar a maior resistência guerrilheira do período. jovens militantes que se embrenharam no interior e construíram a guerrilha armada na região do Araguaia. Vitoriosa, mesmo tendo todos os seus quadros cruelmente torturados e impiedosamente assassinados. Está até hoje no imaginário da região e na história de lutas do nosso povo. 


O PCdoB foi ponta de lança no processo de redemocratização do nosso país, empunhando a bandeira da Anistia e das Direitas Já, sempre tendo como principal tática, a unidade das forças mais avançadas. Contribuiu na eleição do primeiro presidente operário de nossa história e hoje continua na luta por mudanças mais profundas e na persistência de construir uma sociedade mais avança, a sociedade socialista, com a cara, os costumes e a cultura do Brasil.

Parabéns militantes e simpatizantes desses que nunca baixaram e que nunca baixarão a cabeça. Comemoremos, lembrando daqueles que nos trouxeram até aqui, suas vidas nos orgulham e nos fazem lutar até o fim, também!


1, 2, 3...
4, cinco mil...
E Viva o Partido Comunista do Brasil!

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Igor Fuser: Mentiras e verdades sobre a situação na Venezuela

Nos últimos dias a Venezuela voltou às manchetes dos jornais do mundo devido a uma série de manifestações de rua. Abaixo, apresento uma série de mentiras alardeadas pela chamada “grande mídia” e as suas respectivas verdades.


Por Igor Fuser*, no Brasil de Fato

Mentira: Os opositores saíram às ruas porque estão descontentes com os rumos do país e querem melhorar a situação.

Verdade: O que está em curso na Venezuela é o chamado “golpe em câmera lenta”, que consiste em debilitar gradualmente o governo até gerar as condições para o assalto direto ao poder. O atual líder oposicionista, Leopoldo López, não esconde esse objetivo, ao pregar aos seus partidários que permaneçam nas ruas até o que ele chama de “A Saída”, ou seja, a derrubada do governo. O roteiro golpista, elaborado com a participação de agentes dos Estados Unidos, combina as manifestações pacíficas com atos violentos, como a destruição de patrimônio público, bloqueio de ruas e atentados à vida de militantes chavistas. A mídia venezuelana e internacional tem um papel de destaque nesse plano, ao difundir uma versão distorcida dos fatos. A aposta da direita é tornar o país ingovernável. Trata-se de criar uma situação de caos até o ponto em que se possa dizer que o país está “à beira da guerra civil” e pedir uma intervenção militar de estrangeiros. Outro tópico desse plano é a tentativa de atrair uma parcela das Forças Armadas para a via golpista. Mas isso, até agora, tem se mostrado difícil.

Mentira: A Venezuela é um regime autoritário, que impõe sua vontade sobre os cidadãos e reprime as manifestações opositoras.

Verdade: Existe ampla liberdade política no país, que é regido por uma Constituição democrática, elaborada por uma assembleia livremente eleita e aprovada em plebiscito. Nos 15 anos desde a chegada de Hugo Chávez à presidência, já se realizaram 19 consultas à população – entre eleições, referendos e plebiscitos – e o chavismo saiu vitorioso em 18 delas. Foram eleições limpas e transparentes, aprovadas por observadores estrangeiros das mais diferentes tendências políticas, inclusive de direita. O ex-presidente estadunidense Jimmy Carter, que monitorou uma dessas eleições, declarou que o sistema de votação venezuelano é “o melhor do mundo”. Esse mesmo sistema eleitoral viabilizou a conquista de inúmeros governos estaduais e prefeituras pela oposição. Há no país plena liberdade de expressão, sem qualquer tipo de censura.

Mentira: Quem está protestando contra o governo é porque “não aguenta mais” os problemas do país.

Verdade: A tentativa golpista, na qual se inserem as manifestações da direita, reflete o desespero da parcela mais extremista da oposição, que não se conforma com o resultado das eleições de 2013. Esse setor desistiu de esperar pelas próximas eleições presidenciais, em 2019, ou mesmo pelas próximas eleições legislativas, em 2016, ou ainda pela chance de convocar um referendo sobre o mandato do presidente Nicolás Maduro, no mesmo ano. Essas são as regras estabelecidas pela Constituição – qualquer coisa diferente disso é golpe de Estado. A direita esperava que, com a morte de Chávez, o processo de transformações sociais conhecido como Revolução Bolivariana, impulsionado pela sua liderança, entrasse em declínio. Apostava também na divisão das fileiras chavistas, abrindo caminho para seus inimigos. A vitória de Maduro – o candidato indicado por Chávez – nas eleições de abril de 2013, ainda que por margem pequena (1,7% de diferença), frustrou essa expectativa. Uma última cartada da oposição foi lançada nas eleições municipais de dezembro do ano passado. Seu líder, Henrique Capriles (duas vezes derrotado em eleições presidenciais), disse que elas significariam um “plebiscito” sobre a aprovação popular do governo federal. Mas os votos nos candidatos chavistas superaram os dos opositores em mais de 10%, e o governo ganhou em quase 75% dos municípios. Na época, a economia do país já apresentava os problemas que agora servem de pretexto para os protestos, e ainda assim a maioria dos venezuelanos manifestou sua confiança no governo de Maduro. Diante disso, um setor expressivo da oposição resolveu apelar para o caminho golpista.

Mentira: O governo está usando violência para reprimir os protestos.

Verdade: Nenhuma manifestação foi reprimida. O único confronto entre policiais e opositores ocorreu no dia 17 de fevereiro, quando, ao final de um protesto, grupos de choque da direita atacaram edifícios públicos no centro de Caracas, incendiando a sede da Procuradoria- Geral da República e ferindo dezenas de pessoas. Nestas últimas semanas, as ações violentas da oposição têm se multiplicado pelo país. A casa do governador (chavista) do Estado de Táchira foi invadida e depredada. Caminhões oficiais e postos de abastecimento têm sido destruídos. Recentemente, duas pessoas, que transitavam de motocicleta, morreram devido aos fios de arame farpado que opositores estendem a fim de bloquear as ruas.

Mentira: O governo controla a mídia.

Verdade: Cerca de 80% dos meios de comunicação pertencem a empresas privadas, quase todas de orientação opositora. Mas o governo recebe o apoio das emissoras estatais e também de centenas de rádios e TVs comunitárias, ligadas aos movimentos sociais e às organizações de esquerda. Isso garante a pluralidade política e ideológica na mídia venezuelana – algo que, infelizmente, não existe no Brasil, onde a direita controla quase totalmente os meios de comunicação.

Mentira: Os Estados Unidos acompanham a situação à distância, preocupados com os direitos humanos e os valores democráticos, para que não sejam violados.

Verdade: Desde a primeira posse de Chávez, em 1999, o governo estadunidense tem se esforçado para derrubar o governo venezuelano e devolver o poder aos políticos de direita. Está amplamente comprovado o envolvimento dos Estados Unidos no golpe de 2002, quando Chávez foi deposto por uma aliança entre empresários, setores militares e emissoras de televisão. Desde então, a oposição tem recebido dinheiro e orientação de Washington.

Mentira: Os problemas no abastecimento transformaram a vida cotidiana num inferno.

Verdade: Existe, de fato, a falta constante de certos bens de consumo, como roupas, produtos de higiene e limpeza e peças para automóveis, mas o acesso aos produtos essenciais (principalmente alimentos e medicamentos) está garantido para o conjunto da população. Isso ocorre graças à existência de uma rede de 23 mil pontos de venda estatais, espalhados por todo o país, sobretudo nos bairros pobres. Lá, os preços são pelo menos 50% menores do que os valores de mercado, devido aos subsídios oficiais. É importante ressaltar que o principal motivo da escassez não é nem a inexistência de dinheiro para realizar importações nem a incapacidade do governo na distribuição dos produtos. Grande parte das mercadorias em falta são contrabandeadas para a Colômbia por meio de uma rede clandestina à qual estão ligados empresários de oposição.

Mentira: A atual onda de protestos é protagonizada pela juventude, que está em rebelião contra o governo.

Verdade: Os jovens que participam dos protestos pertencem, na sua quase totalidade, a famílias das classes alta e média-alta, que constituem a quarta parte da população. Isso pode facilmente ser constatado pela imagem dos estudantes que aparecem na mídia. São, quase todos, brancos – grupo étnico que não ultrapassa 20% da população venezuelana, cuja marca é a mistura racial. E não é por acaso que os redutos dos jovens oposicionistas sejam as faculdades particulares e as universidades públicas de elite. Os jovens opositores são minoria. Do contrário, como se explica que o chavismo ganhe as eleições em um país onde 60% da população têm menos de 30 anos? Uma pesquisa recente, com base em 10 mil entrevistas com jovens entre 14 e 29 anos, revelou que 61% deles consideram o socialismo como a melhor forma de organização da sociedade, contra 13% que preferem o capitalismo.

Mentira: A economia venezuelana está em colapso.

Verdade: O país enfrenta problemas econômicos, alguns deles graves, como a inflação de mais de 56% nos últimos 12 meses. Mas não se trata de uma situação de falência, como ocorre na Europa. A Venezuela tem superávit comercial, ou seja, exporta mais do que importa, e possui reservas monetárias para bancar ao menos sete meses de compras no exterior. É um país sem dívidas. A principal dificuldade econômica é a falta de crédito, causada pelo boicote dos bancos internacionais.

Mentira: A insegurança pública está cada vez pior.

Verdade: A Venezuela enfrenta altos níveis de criminalidade, assim como outros países latino-americanos, inclusive o Brasil. Esse tema é uma das prioridades do governo Maduro, que chegou a mobilizar tropas do Exército no policiamento de certas áreas urbanas, com bons resultados. A melhoria da segurança pública foi justamente o tema do diálogo entre o governo e a oposição, iniciado no final do ano passado, por iniciativa do presidente. O próprio Chávez, em seu último mandato, criou a Polícia Nacional Bolivariana, a fim de compensar as deficiências do aparato de segurança tradicional, famoso pela corrupção. Outra estratégia é o diálogo com as “gangues” juvenis a fim de afastá-las do narcotráfico e atraí-las para atividades úteis, como o trabalho na comunidade e a produção cultural. A grande diferença entre a Venezuela e o Brasil, nesse ponto, é que lá o combate à criminalidade ocorre num marco de respeito aos direitos humanos. A política de segurança pública venezuelana descarta o extermínio de jovens nas regiões pobres, como ocorre no Brasil.

*Igor Fuser é jornalista e professor de jornalismo na Faculdade Cásper Líbero

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

UJS realiza curso e Plenária Estadual em Carpina

Entre os dias 6 e 8 de fevereiro, a União da Juventude Socialista (UJS), realizou um Curso Estadual de Formação Política e no dia 9 de fevereiro, uma Plenária Estadual. Tudo aconteceu na cidade de Carpina, localizada na Zona da Mata Norte. As atividades contaram com a presença de 100 militantes e dirigentes de todas as regiões de Pernambuco.

Presidenta da UJS Pernambuco na Plenária Estadual
O Curso Estadual teve inicio na noite do dia 6, com a presença do Secretário de Organização do PCdoB em Pernambuco, Ossi Ferreira, que abordou a Conjuntura Nacional / Estadual e os principais desafios do ano de 2014. Os dois dias seguintes, foram dedicados a aulas de Economia, Estado & Classe, Filosofia e Socialismo, além de debates conjunturais como a Copa e seu legado. A participação de professores da escola estadual do PCdoB foi fundamental para a realização do curso. Estiveram presentes Zelito Passavante e Helmilton Beserra, do módulo de Filosofia; Nilson Vellazquez e Clarence Santos, do módulo de Estado e Classe; Luiz Henrique (Galego) e Luiz Alves, do módulo de Economia; Inamara Melo e Matheus Lins, do módulo de Socialismo; Além de Danilo Moreira, debatendo sobre a Copa, tivemos também a participação de ex-dirigentes da UJS no estado para o ato de comemoração dos 30 anos entidade: Sidney Mamede, Thiago Mondenesi e Ossi Ferreira.

Intervenções durante a aula de Filosofia, com Zelito Passavante
O domingo, 9, foi reservado para a Plenária Estadual da UJS Pernambuco. Representando a Direção Nacional, este presente Flávio Panetone, Diretor de Organização Nacional da UJS, que contribuiu no debate acerca das perspectivas e desafios que os jovens socialistas enfrentarão na construção do 17º Congresso da entidade e ao longo do ano de 2014. Em seguida, a Presidenta Estadual da UJS, Thiara Milhomem, tratou sobre a construção do Congresso da UJS em Pernambuco e dos desafios da organização no estado. Convocou todos os militantes da organização a construir o “maior Congresso da história da UJS em Pernambuco. Em praça pública e para mais de mil jovens de todas as tribos e regiões do estado”. Em seguida, a Diretora Estadual de Organização da UJS, Amanda Mello, apresentou o plano de ação que visa filiar e organizar cerca de 40 mil jovens no estado.

Plenário lotado na abertura do Curso Estadual, com Ossi Ferreira
Em clima de muita unidade, o plano de ação foi aprovado e em seguida foram eleitos jovens para cuidar de diversas frentes de atuação da UJS, como: Movimento Hip Hop, Mulheres, LGBT, Cultura, Jovens Trabalhadores e PPJ. Na oportunidade, o Diretor de Comunicação da UJS Pernambuco, Matheus Lins, apresentou uma novidade nas Redes Sociais da organização, que a partir de agora, conta com a publicação semanal de artigos de dois militantes que se encontram estudando fora do país. São eles: Nelson Barros (China) e Vinícius Soares (EUA). No ano em que completa 30 anos, a UJS demonstrou força e consolida-se como maior organização política de jovens do Brasil.

Ato em comemoração dos 30 anos da UJS

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

100 anos do Santa Cruz, o time do Povo.

Na segunda-feira, dia 03 de fevereiro de 2014, completou exatos 100 anos o maior clube do Nordeste, um dos maiores do Brasil. O poderoso Santa Cruz é grandioso pelo seu valor histórico, seus feitos e vários títulos. Mas, sobretudo, o Santa Cruz é grande por ter uma enorme massa, composta pela população mais humilde do Recife, que dribla as dificuldades para poder apreciar e acompanhar seus passos. São milhões de torcedores que enfrentaram alegrias e tristezas, momentos de conquistas e rebaixamentos. Mas que nunca, em momento algum, pensaram em abandonar essa entidade que simboliza a alegria dos pernambucanos mais sofridos e lutadores.



Ser santacruzense é muito mais do que ser um mero e simples torcedor. Torcer para o Santa Cruz é uma decisão para a vida toda. Que passa de geração em geração. Que supera todas as dificuldades, rememorando as glórias do passado, e sempre acreditando num futuro de muitas conquistas e alegrias. Ser santacruzense é nunca baixar a cabeça e sempre ter orgulho de dizer que é SANTA CRUZ. Ser santacruzense é honrar a memória de 11 jovens recifenses que tiveram a ousadia de organizar um Clube de futebol com identidade popular e aberto aqueles que não eram da alta sociedade no inicio do século XX. É se orgulhar de torcer para um time que enfrentou o racismo e teve entre seus atletas o primeiro mulato e o primeiro negro jogadores de futebol em pernambuco. É se orgulhar de nunca ter se submetido ao poder econômico dos clubes do sul em organizações corruptas e fraudulentas com o Clube dos 13 e Cia. Organizações que sucatearam o futebol nordestino, mesmo tendo entre eles 3 representantes, que se favoreceram do poder econômico e impuseram um hegemonia descabida e antidesportiva.

São 100 anos de uma história rica e emocionante. História que teve milhares de personagens. Alguns deles se destacam e enriquecem nosso passado. Não listando em ordem cronológica, gostaria de mencionar Tará, Birigui, Givanildo Oliveira, Carlinhos Bala, Ramon, Amarildo, Luiz Neto, Thiago Cardoso, Nunes, Betinho, Elói, Célio, Zé do Carmo, Dênis Marques e Flávio Caça-Rato. Uma fração dos muitos jogadores que ajudaram a construir a história do Santa Cruz.

Que venham mais 100 anos. Recheados de muitas conquistas e vitórias. Mas sempre com uma boa pitada de emoção. Porque, afinal, se for fácil não é SANTA CRUZ! Um viva a torcida MAIS APAIXONADA DO BRASIL.

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

UJS reúne ex-presidentes da entidade no marco de seus 30 anos

Fundada em 1984, a União da Juventude Socialista (UJS) completará 30 anos neste ano, e o Seminário Preparatório para o 17º Congresso tratou desse marco histórico na noite dessa terça-feira (28). Para isso, promoveu um verdadeiro encontro de gerações e reuniu dirigentes de diversas fases dessa trajetória.

Fotos: UJS divulgação
Alemão: “O Brasil de hoje não seria o mesmo sem a UJS”

Ricardo Abreu, conhecido como Alemão, foi um dos fundadores da UJS e participou ativamente da construção da entidade durante muitos anos. Ele resgatou os primeiros anos da organização e os desafios de lutar por mais democracia quando a ditadura militar ainda dava seus últimos suspiros.

“O começo da história da UJS acompanhou um período de ascensão da luta de massas”, afirmou Alemão, relembrando que o ano de fundação da entidade assistiu também a campanha das “Diretas Já”, que exigia o direito do povo brasileiro de eleger o presidente da República.

De acordo com ele, todas as grandes conquistas da juventude brasileira nesses últimos 30 anos contaram com a impressão digital da UJS: “Há muito tempo vocês defendem bandeiras de luta como a reserva de vagas, a meia-entrada e o passe livre”, arrematou.

Também presente na fundação da União da Juventude Socialista, Jorge Panzera foi coordenador-geral da entidade entre 1994 e 1996. Presente ao Seminário, ressaltou a ousadia da entidade que, recém-fundada, decidiu disputar os rumos da Constituinte de 1988 e assegurar um importante direito para a juventude: “Essa foi a organização que conquistou o direito do voto aos 16 anos”, lembrou.

Segundo Panzera, “o ineditismo de criarmos no Brasil uma organização juvenil ampla, que pensa a partir das bandeiras de luta desses jovens, se insere nessa realidade e, principalmente, é socialista, foi uma decisão histórica”.


Orlando Silva: “Participar da UJS é aprender a fazer luta política”


Um dos mais destacados dirigentes da história da UJS, Orlando Silva exerceu a presidência nacional da organização. Antes disso, escreveu seu nome na história da União Nacional dos Estudantes (UNE) ao ser o primeiro negro eleito presidente da entidade.

“Esse horizonte que a UJS busca, com formas diferentes de se organizar e se relacionar com a juventude e de lutar pelo Socialismo, marcou muito a minha vida”, afirmou Orlando ao destacar a pluralidade das fileiras da entidade, que reúne jovens estudantes, trabalhadores, e de diversas frentes que combatem todas as formas de opressão.

Sucessor de Orlando Silva na presidência da UJS, Wadson Ribeiro conduziu a entidade na vitoriosa campanha que elegeu Lula presidente em 2002 e recordou as dificuldades e o aprendizado da luta contra o neoliberalismo: “O Fora FHC significava a denúncia de uma política que trouxe inúmeras dificuldades para o Brasil e a juventude”. O ex-presidente ainda recordou o importante papel cumprido pela UJS na crise política de 2005, quando os setores conservadores ensaiaram um golpe contra o então presidente Lula.


André Tokarski: “A nossa geração acredita no Brasil”


O atual presidente da UJS, André Tokarski, tratou dos desafios de honrar a trajetória da organização e conquistar mais avanços: “Resgatar os 30 anos de história da UJS significa contar também um pouco da história do Brasil”, afirmou.

De acordo com André, o 17º Congresso Nacional da UJS deverá também relembrar os 50 anos do golpe militar de 1964 com mobilizações em todo o país e, ao mesmo tempo, lutar por mais mudanças no presente.

“Não é menor o reconhecimento público dado à UJS pela presidenta da República, Dilma Rousseff, pela participação em diversas conquistas da juventude”, afirmou André. “Mas queremos mais: a nossa geração acredita no Brasil e no potencial da juventude”, completou.

Fonte: Site da UJS

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

PCdoB: Lênin: suas ideias revolucionárias seguem vivas no século 21


Há 90 anos, em 21 de janeiro de 1924, morria Vladimir Ilitch Lênin, o mais destacado líder revolucionário do século 20. Sob o impacto de seu falecimento, o Partido Comunista da Rússia (bolchevique) emitiu a seguinte mensagem aos trabalhadores do mundo: “Nunca desde Marx a história do grande movimento libertador do proletariado produziu uma figura tão gigantesca (...) cujo nome se tornou, do Ocidente ao Oriente, do sul ao norte, o símbolo do novo mundo”.

Tal afirmação, aparentemente altissonante, correspondia inteiramente à verdade. Podemos afirmar que o pensamento revolucionário de Lênin transbordou no tempo: depois de marcarem grandes acontecimentos históricos do século 20, suas ideias seguem a fertilizar o chão do século 21 para novas revoluções e novas primaveras para os povos. Essa constatação confirma a predição dos versos do poeta soviético Maiakovski, também escritos em 1924, quando filas de milhares e milhares de trabalhadores, sob a neve, se despediam:

“Da pessoa mais terrestre
de todas
que passaram pela Terra”

“Não devemos
nos derramar
em poças de lágrimas,
Lênin ainda está mais vivo do que os vivos”

Líder da grande vitória inaugural dos proletários

Lênin foi o grande arquiteto da Revolução socialista na Rússia em 1917. Esta, por sua vez, marcaria profundamente o século 20 e iniciaria uma nova fase da história da humanidade. O mundo que começaria a ser construído pós-Outubro seria bastante diferente daquele existente antes dele. Alguns historiadores chegam mesmo a afirmar que o século 20 teria começado, de fato, com o estrondo da 1ª Guerra Mundial e com fulgores da Revolução Russa, a grande vitória inaugural dos proletários.

O historiador Eric Hobsbawm sublinhava com frequência que o Estado de Bem-Estar Social, nascido na Europa Ocidental, não teria sido possível sem a “ameaça comunista”, representada pela existência do Estado Soviético e, posteriormente, do campo socialista. Essa “ameaça” era proveniente dos relevantes direitos políticos e sociais proporcionados ao povo pelo jovem poder socialista – conquistas que exerciam forte apelo e mesmo fascínio junto às massas de trabalhadores dos países capitalistas. Seguindo na mesma linha (e baseando-se em documentos oficiais), o filósofo italiano Domenico Losurdo afirmou que a própria conquista dos direitos civis dos negros estadunidenses estava ligada ao medo do comunismo em solo americano.

Luta contra o colonialismo e a concepção de uma única humanidade

Quando os bolcheviques assumiram o poder, grande parte da humanidade vivia sob o tacão do domínio colonial. O planeta possuía naquela época aproximadamente 1,657 bilhão de habitantes. Destes, 930 milhões viviam em países aviltados e saqueados pelo colonialismo. Foi Lênin e um elenco de bravos e lúcidos camaradas que asseveraram o direito inalienável à autodeterminação das nações oprimidas e conclamaram os povos oprimidos a se levantarem contra o jugo do colonialismo e do imperialismo. Assim, os movimentos de libertação nacional, desde então, passaram a contar com o apoio decidido do primeiro Estado socialista e dos jovens partidos comunistas que foram se formando, inclusive nos países imperialistas.

O pensamento de Lênin e as ações políticas dele derivadas contribuíram para que todos os “humanos” fossem, sem distinção, tratados como integrantes de uma única humanidade. Explica-se. Antes de Lênin, as nações vítimas de opressão se reduziam – aos olhos da 2ª Internacional – a um seleto elenco de povos civilizados, sobretudo de nações europeias. Tal seletividade excluía povos da Ásia e da África, humilhados e explorados pelo colonialismo. De Lênin em diante, o programa emancipacionista nacional e social passou a abarcar a humanidade como um todo, rompendo a abjeta separação que havia entre brancos e negros, e entre europeus e asiáticos. Em decorrência desta concepção de Lênin, o lema da Internacional Comunista se alarga para: “proletários e povos coloniais do mundo inteiro, uni-vos”.

Imperialismo: época do capital financeiro, era das revoluções

O nome de Lênin entrou definitivamente para a história mundial quando ele se levantou contra a guerra imperialista, iniciada em agosto de 1914, e denunciou a traição dos chefes social-democratas europeus, que capitularam vergonhosamente diante da carnificina promovida por seus respectivos governos burgueses. Ele e um pequeno grupo de marxistas revolucionários passaram a se constituir como os principais defensores da paz entre os povos e da independência nacional.

Diante da bancarrota da 2ª Internacional, Lênin abraçou a tarefa de renovação do marxismo e da estratégia revolucionária dos socialistas. Nesse esforço intelectual, redigiu vários trabalhos seminais, entre elesImperialismo, etapa superior do capitalismo. Nesta obra, publicada em 1916, apontou a tendência do capitalismo em concentrar a produção e o capital em grandes monopólios; e fundir o capital industrial e bancário formando o capital financeiro. Nesta fase do capitalismo, a exportação de capital sobrepujaria a simples exportação de mercadorias. E o resultado seria a divisão e dominação econômica e territorial do planeta pelas grandes potências imperialistas. A luta pela conquista de mercados e territórios entre elas levaria o mundo às guerras de conquista e interimperialistas.

Lênin, de maneira original, apresentou a tese (confirmada pela história) segundo a qual as revoluções não começariam, necessariamente, onde o capitalismo era mais desenvolvido, como se pensava até então, e sim eclodiriam nos elos mais fracos da corrente imperialista. Os fenômenos decorrentes da lei do desenvolvimento desigual do capitalismo poderiam criar as condições para a vitória da revolução e dar início à construção do socialismo num único país, ou num pequeno número de países, da periferia do sistema. De fato, foi isso o que se viu ao longo do século 20, como bem o demonstra o colar de revoluções vitoriosas na China, Vietnã, Coreia, em Cuba e outros países da África, Ásia, América Latina.

Apoiado na teoria de Lênin sobre o imperialismo, o PCdoB destaca que, na atualidade, está em marcha uma nova luta pelo socialismo. Essa nova jornada libertária brota da resistência do movimento revolucionário, do avanço da consciência e luta dos trabalhadores, do enriquecimento da teoria revolucionária, e dos paradoxos e contradições do capitalismo contemporâneo. Essa nova luta pelo socialismo se gesta e se realiza num mundo em transição cuja essência é marcada pelo declínio relativo do imperialismo estadunidense e pela ascensão da China socialista. A grande crise do capitalismo, ora em curso, acelera tais tendências de mudanças na realidade mundial numa dinâmica instável, carregada de ameaças, de golpes contra a democracia e a soberania dos povos, mas também de acumulação crescente dos fatores de mudanças progressistas e revolucionárias.

Teoria e prática da construção do socialismo

Contribuições inestimáveis à teoria do socialismo foram os trabalhos de Lênin sobre a Nova Política Econômica (NEP), o capitalismo de Estado e a transição ao socialismo – textos que, em geral, foram subestimados depois de sua morte. O processo de construção do socialismo, sobretudo nos países relativamente atrasados, deveria ser longo e conhecer várias etapas. Num primeiro momento se combinará elementos socialistas e capitalistas, planejamento e mercado. O principal objetivo seria alcançar um maior desenvolvimento das forças produtivas em proveito dos componentes socialistas da economia e do poder operário.

Outra lição deixada pelo leninismo (e esquecida por largo tempo pelo movimento comunista) é o fato de não existirem modelos únicos de revolução ou de transição socialista. Cada povo (a partir de suas condições objetivas e subjetivas) deverá construir os seus próprios caminhos.

O PCdoB, desde o seu 8º Congresso, realizado em 1992, empreendeu um esforço para resgatar e mesmo atualizar o legado teórico de Lênin acerca da transição do capitalismo ao socialismo. Esforço este liderado por João Amazonas. As ideias que floresceram a partir deste resgate tiveram grande importância para o PCdoB reafirmar o socialismo em bases novas a partir de suas análises sobre o fim da União Soviética e a queda dos governos do Leste europeu. De igual modo, foram determinantes na elaboração de um Programa Socialista para o Brasil do século 21.

Política justa: refuta o oportunismo de direita e de esquerda

Depois de demarcar o campo com o reformismo da 2ª Internacional no pós-1914, Lênin abraçou a tarefa de combater o “esquerdismo” que ganhava corpo no jovem movimento comunista. Desnudar os equívocos e malefícios do “oportunismo de esquerda” passou a ser uma exigência essencial para a construção de partidos revolucionários com influência de massa e capazes de, efetivamente, se constituírem enquanto vanguardas do grande processo transformador que se abrira com a Revolução Russa. Como disse Renato Rabelo, presidente do PCdoB: “passava à ordem do dia a luta contra o isolacionismo sectário, as impaciências esquerdistas, os principismos doutrinários”. Os partidos comunistas só poderiam consolidar sua influência junto às massas ao intervirem nos grandes acontecimentos políticos e não fugindo deles. Era necessário tirá-los do gueto no qual muitos procuravam colocá-los.

O esquerdismo rejeitava quaisquer compromissos com outras classes ou forças políticas não-comunistas. Lênin, ao contrário, advogava que não se deveria renunciar a explorar os antagonismos existentes entre os inimigos nem renunciar, de antemão, a acordos e compromissos com possíveis aliados ainda que temporários, instáveis, vacilantes, condicionais. A obra de Lênin ajudou os jovens partidos comunistas a derrotarem o esquerdismo em suas fileiras e se forjarem como partidos verdadeiramente revolucionários, capazes de articular os princípios do marxismo e uma prática política ampla e flexível.

O Partido Comunista do Brasil, decorrente de um aprendizado sinuoso, mas frutífero, avançou na elaboração de seu pensamento estratégico e tático. Tem um rumo definido e um caminho traçado para a conquista do socialismo. Sua orientação tática, permeado pelo pensamento leninista, a um só tempo tem por objetivo congregar forças políticas avançadas e amplas e alcançar extensa influência e prestígio entre os trabalhadores e o povo. Ou seja, uma concepção que rejeita o gueto político que o impediria de ter influência no curso político e nas massas e refuta as pressões que atuam para torná-lo um agrupamento possibilista e pragmático.

Partido: forma mais elevada de organização dos trabalhadores

Já nos primeiros anos do século passado, Lênin analisou a complexa relação entre o fator consciente e o movimento espontâneo das massas populares. Afirmou ele: “A classe operária, pelas suas próprias forças, não pode chegar senão à consciência sindical, isto é, à convicção de que é preciso unir-se em sindicatos, conduzir a luta contra os patrões, exigir do governo essas ou aquelas leis necessárias aos operários, etc.”. É justamente devido aos limites estruturais da luta exclusivamente econômica que a consciência socialista não poderia nascer diretamente dela. A verdadeira consciência de classe só pode nascer da luta política, na relação “de todas as classes e categorias da população com o Estado e o governo, o domínio das relações de todas as classes entre si”.

A partir da constatação de que a luta política era a forma superior de luta de classes, Lênin concluiu que o partido é a mais elevada forma de organização dos trabalhadores. Por isso, ele se voltou para esse desafio e deu valiosa contribuição à construção da teoria de partido de vanguarda nas condições da etapa imperialista do capitalismo. Contudo, via o Partido Comunista como um instrumento a serviço das transformações sociais, e não como um fim em si mesmo. O desenvolvimento das formas organizativas estava intimamente ligado ao desenvolvimento da própria revolução.

Portanto, também não existiria um modelo único de organização partidária leninista. O que existia eram alguns princípios gerais que norteariam o seu funcionamento como um partido revolucionário e de vanguarda: a orientação marxista (programa revolucionário e política justa), internacionalismo, a vinculação orgânica com a luta do proletariado, compromisso em relação à ruptura com a ordem capitalista e à conquista do poder político para os trabalhadores. Um partido que organiza a partir do centralismo-democrático, visto de maneira dialética, tendo em conta as diversas conjunturas políticas de maiores ou menores liberdades democráticas.

Da longa trajetória de 90 anos do Partido Comunista do Brasil, se destaca a lição de que um partido comunista de feição e prática revolucionária, condizente com as exigências da contemporaneidade, é a garantia para as vitórias táticas e estratégicas do projeto revolucionário. Para tal, o Partido deve ser forjado em firme unidade de ação baseada em uma política justa, comprovada no curso dos acontecimentos. Esta política é elaborada no aprofundamento do método democrático e participativo, no estímulo à criatividade e à livre expressão de opiniões individuais, tendo em alta conta a sabedoria e a acuidade crítica do coletivo militante, na atividade prática mobilizadora, sob a condução de um único centro dirigente.

As realizações e a atualidade dos partidos marxistas-leninistas

Esta concepção de partido se mostrou acertada e valiosa. Tanto é assim que os partidos comunistas regidos por esta concepção estiveram à frente das principais revoluções que sacudiram e moldaram a feição geopolítica do século 20. O vendaval anticomunista desencadeado a partir do fim da União Soviética inculcou nas mentes que o socialismo falira, que o marxismo-leninismo caducara e que os partidos comunistas tornaram-se arcaicos e superados. Todavia, a realidade desta segunda década do século 21 desmascarou o veredicto apressado que as classes dominantes haviam proclamado. Os partidos comunistas progressivamente vão readquirindo força popular e destacado papel político em países de vários continentes. Lideram, também, apesar das adversidades, importante jornada de construção do socialismo, como na China, Vietnã e Cuba.

Teoria viva, adversária do dogmatismo

João Amazonas e Maurício Grabois, históricos dirigentes do PCdoB, afirmaram que Lênin “não deixou sem resposta nenhuma tese ou opinião errônea, dentro e fora da Rússia, que circulasse no movimento operário. Em todos os campos de atividade, nos mais intrincados problemas da política e da filosofia, da arte e da literatura, da ciência e da economia ou da construção do socialismo, Lênin interveio para rechaçar as ideias e teorias falsas”.

Lênin era também inimigo do dogmatismo e das ideias estereotipadas. "A história em geral”, disse ele, “e a das revoluções em particular é sempre mais rica de conteúdo, mais variada de forma e de aspectos, mais viva e mais 'astuta' do que imaginam os melhores partidos, as vanguardas mais conscientes das classes mais avançadas". Não se cansava de repetir que Marx e Engels haviam colocado apenas as pedras iniciais da construção, e caberia às sucessivas gerações de comunistas darem prosseguimento à obra daquele grandioso edifício.

Ele, mais do que ninguém, sabia se o marxismo não conseguisse dar conta dos novos fenômenos que iam surgindo no curso da vida, poderia petrificar-se, degradar-se e transformar-se num dogma incapaz de interpretar a dinâmica viva das lutas de classes e de apontar diretivas para a intervenção política no curso dos acontecimentos. Ou seja, o marxismo se tornaria algo inútil para os trabalhadores na sua luta para a conquista do socialismo.

O PCdoB no seu já citado 8º Congresso concluiu que o marxismo-leninismo no curso da degeneração da experiência soviética vitimado pelo dogmatismo, transformou-se em doutrina de Estado e deixou de se desenvolver em ligação com a realidade. Desde então, os comunistas e revolucionários se empenham para superar a crise teórica e prática do socialismo que se traduz na exigência de atualizar a teoria revolucionária para o século 21, vinculando-a à prática política e social avançada do período histórico atual.

Homenagear Lênin é fortalecer o caminho para o socialismo

Seguindo a trilha do pensamento leninista, devemos afirmar que o marxismo (a teoria revolucionária) não se esgota nas obras de Marx, Engels, de Lênin e de outros gigantes do pensamento e da luta transformadora. Este acervo, mesmo que monumental e germinal, exige permanente renovação. É da sua essência se renovar e se enriquecer; sempre.

O Partido Comunista do Brasil, ao homenagear o legado de Lênin, tem a convicção de que apesar das inúmeras alterações ocorridas no mundo nesses 90 anos, continuamos vivendo em plena época do imperialismo agravado em alta escala em seu parasitismo, especulação financeira, concentração de riquezas, exploração dos trabalhadores, autoritarismo, saques e guerras. E a grande crise desencadeada em 2007-2008 revela de forma dramática, pelo seu custo social e de vidas humanas, os limites históricos do capitalismo e a necessidade de se fortalecer, segundo a singularidade de cada país, a alternativa revolucionária e libertadora do socialismo. Mais do que nunca, são necessários os partidos marxista-leninistas, fortes e representativos, determinados a cumprir seu papel revolucionário. Vivemos numa época na qual o leninismo continua sendo fertilmente atual. Homenagear Lênin é ser coerente e consequente na atualidade, é fortalecer o caminho da revolução e do socialismo.
São Paulo, 21 de janeiro de 2014

Comissão Política Nacional do Partido Comunista do Brasil-PCdoB